Otan amplia contingente que ficará no Afeganistão

Aliança estuda deixar de 8 mil a 12 mil soldados no país após retirada em 2014, cifra bem maior do que a divulgada antes

CABUL, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h07

Os países-membros da Otan discutem manter uma força militar de treinamento de no mínimo 8 mil soldados no Afeganistão após a retirada prevista para 2014. A informação foi revelada ontem pelo governo americano. O número é bem maior do que estimativas feitas nos últimos anos, que falavam até mesmo em 3 mil militares em território afegão.

"Um contingente de 8 mil a 12 mil tropas foi discutido como sendo o tamanho possível da missão da Otan em geral", disse o porta-voz do Pentágono, George Little, após uma reunião de ministros da Defesa da Aliança Ocidental, em Bruxelas, concluída na noite de ontem.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não decidiu quantos militares americanos permanecerão no Afeganistão depois de 2014, disse Little. "O presidente ainda está analisando as opções sobre a mesa", completou.

O ministro da Defesa da Alemanha, Thomas de Maizière, disse mais cedo que o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, informara seus colegas sobre o contingente desejado por Washington. Após Panetta ter desmentido a informação, Maizière emitiu um comunicado com uma retificação. Ele disse que o número se refere ao tamanho global possível da missão da Otan pós-2014, que também deve incluir aliados europeus e de alguns países que não integram a Aliança Atlântica.

O número de soldados que deverá ser deixado após a retirada é um tema politicamente sensível, pois eleitores em países aliados estão cansados da guerra de 12 anos contra as forças do Taleban. Em discussões anteriores na Casa Branca, o número de remanescentes cogitado ficava entre 3 mil e 9 mil soldados americanos. Os comandantes militares preferiram o maior patamar. Um alto funcionário da Otan disse, no mês passado, que os Estados Unidos esperam que outros aliados da Otan contribuam com entre 30% e 50% do número de tropas que Washington fornecerá.

Além da missão de treinamento da Otan, os Estados Unidos também vão levar adiante uma missão de combate ao terrorismo no Afeganistão depois de 2014, tendo como alvo a Al-Qaeda. Washington teme que o país volte a virar um reduto da rede terrorista. / REUTERS

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