Otan amplia missão para combater insurgência Taleban no Afeganistão

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aprovou nesta quinta-feira a ampliação de sua missão no Afeganistão. Segundo o porta-voz da aliança, James Appathurai, a medida contribuirá para o deslocamento de soldados para todas as regiões do país, incluindo a instável região leste afegã, além de passar ao comando aliado cerca de 12.000 soldados americanos, na primeira vez que uma grande força dos Estados Unidos ficará subordinada a um militar estrangeiro desde a Segunda Guerra Mundial.A decisão, tomada em uma reunião dos ministros da Defesa dos países que integram a aliança, será implementada nas próximas semanas, afirmou o porta-voz, e o total de soldados da Otan no país será de 32 mil. O encontro foi realizado na cidade eslovena de Portoroz.O anúncio da ampliação da missão vêm no mesmo dia em que militares americanos revelaram à rede britânica BBC que os ataques de militantes pró-Taleban contra soldados americanos e afegãos na região da fronteira com o Paquistão triplicaram nas últimas semanas. Diante do acirramento da violência no país asiático nos últimos dois meses, forças da Otan se viram forçadas a se deslocarem para o sul do Afeganistão para combater a crescente resistência Taleban naquela área. Os enfrentamentos foram os primeiro combates em grande escala da Otan desde que a aliança foi constituída, há 60 anos.Com a decisão desta quinta-feira, milhares de soldados americanos passarão ao mando do general britânico David Richards, o comandante da Otan no Afeganistão. Entretanto, o general americano James L. Jones substituirá Richards em fevereiro do ano que vem. Também serão enviados equipamentos militares como aviões e helicópteros.Appathurai disse que o plano da Otan é uma mostra do êxito alcançado pela operação do organismo no sul do Afeganistão. As negociações para a ampliação da missão se estenderam por vária semanas devido à recusa das nações européias de enviar mais combatentes ao Afeganistão.Segundo reportagem da BBC, a Otan ainda busca a obtenção de mais 2.500 soldados para a região, particularmente de países europeus. Impasse diplomáticoA decisão da ampliação das tropas da Otan coincidiu também com a divulgação, feita pelo Ministério da Defesa da Inglaterra nesta quinta-feira, de um relatório sobre uma suposta ajuda do ISI (serviço secreto paquistanês) a grupos terroristas através de partidos religiosos. O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, antes do encontro com o primeiro-ministro britânico Tony Blair, negou o conteúdo do relatório e defendeu o órgão de inteligência. "Rejeito essas afirmações totalmente. Ninguém, nem o Ministério da Defesa britânico, pode vir me dizer que tenho que desmontar o ISI". Na terça-feira, o presidente norte-americano George W. Bush reuniu-se com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e com o general Musharraf para tentar diminuir o atrito entre os dois líderes, que acusam um ao outro de falhar na ação contra os militantes, principalmente no fronteira entre os dois países.Ampliada às 17:38

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