Otan anuncia retomada de contatos com líderes russos

A Otan informou nesta segunda-feira que vai retomar na próxima semana os contatos de primeiro escalão com a Rússia, suspensos desde a guerra da Geórgia, e Moscou disse não ver obstáculos para a retomada das relações plenas até fevereiro. James Appathurai, porta-voz da Otan, disse que a primeira reunião do embaixador da Rússia, Dmitry Rogozin, com os representantes dos 26 países da aliança tratou não do passado, e sim do futuro. Foi o primeiro evento do gênero desde a intervenção militar russa de agosto na Geórgia. "Não houve recriminações de nenhum dos embaixadores, e eles estão todos esperando o próximo passo, que é o envolvimento do secretário-geral no nível político com a liderança russa nas próximas semanas", afirmou. O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que vai se encontrar com o chefe de uma delegação russa na conferência de segurança marcada para os dias 6 a 8 de fevereiro em Munique, para "reengajar-se em nível político". "Nós e a Rússia precisamos encontrar um caminho para uma nova relação, de mais confiança e mais recompensadora", disse ele num seminário em Bruxelas. "A relação Otan-Rússia é valiosa demais para ficar presa a argumentos imutáveis." A agência russa de notícias RIA-Novosti disse que o contato pode ser com o vice-primeiro-ministro Sergei Ivanov. Rogozin disse à Reuters que não vê obstáculo à restauração de laços plenos com a Otan já a partir de fevereiro, e que pode haver progressos neste sentido em Munique. "A perspectiva de uma rápida retomada das relações agora está completamente aberta. Não excluo que isso se dê já na segunda quinzena de fevereiro", disse. O Conselho Rússia-Otan, formado por embaixadores, é o principal fórum para a cooperação, mas foi suspenso depois que a Otan condenou as ações da Rússia durante o conflito com a Geórgia, que considerou desproporcionais. Os chanceleres da Otan decidiram no mês passado restaurar gradualmente os contatos, salientando áreas de interesse mútuo, inclusive a cooperação na luta contra a militância islâmica. (Reportagem adicional de Simon Shuster em Moscou)

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