Virginia Mayo | AP
Virginia Mayo | AP

Otan apoia Ancara, mas pede contenção

UE também manifesta preocupação com possível escalada de tensão com Rússia

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2015 | 00h01

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar da qual a Turquia faz parte, referendou nesta terça-feira a versão de Ancara sobre o incidente que resultou na derrubada do caça russo SU-24 na fronteira com a Síria por um míssil turco, mas pediu que as partes envolvidas promovam uma ‘desescalada’ na tensão causada pelo episódio.

Uma reunião extraordinária do Conselho do Atlântico Norte foi realizada às pressas em Bruxelas quando a entidade acusou a Força Aérea da Rússia de ter não só invadido o espaço aéreo, como também ignorado advertências feitas aos pilotos.

Representantes dos 28 países-membros da organização compareceram à reunião. “Somos solidários à Turquia e apoiamos a integridade territorial de nosso aliado turco na Otan”, afirmou o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, que também fez um apelo por diálogo entre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o da Rússia, Vladimir Putin, com o objetivo de evitar uma escalada militar perigosa.

“Trata-se de um incidente sério. É preciso evitar que a situação fuja de controle. A diplomacia e a ‘desescalada’ são importantes”, pediu.

A organização seguiu os desdobramentos do incidente desde os primeiros instantes após a queda do caça, uma situação inédita envolvendo um país da Otan e um avião da Rússia ou da União Soviética desde 1950.

Alertas. A Otan lembrou ainda que as invasões do espaço aéreo da Turquia por aviões russos já haviam ocorrido nas últimas semanas, o que obrigara a organização a lançar em 5 de outubro uma advertência a Moscou, quando exortou as Forças Armadas da Rússia “a respeitar o espaço aéreo da Otam e evitar uma escalada de tensões”.

Em vários governos da Europa, a preocupação não foi no sentido de demonstrar solidariedade à Turquia, mas antes de mais nada de pedir calma às autoridades dos dois países. Essa foi, por exemplo, a posição de Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu. “Nesse momento perigoso, após a destruição de um avião russo, todo mundo deve manter a cabeça fria e continuar calmo.”

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou a “todas as partes relevantes a tomar medidas urgentes com vistas à ‘desescalada’ da tensão”, afirmou o porta-voz da instituição, Stephane Dujarric.

A crise diplomática e militar entre a Turquia e a Rússia representa o ápice do desentendimento entre os dois países com relação à Síria. Desde o início da guerra civil síria, em 2011, o governo de Erdogan, próximo do movimento islâmico Irmandade Muçulmana, passou a apoiar grupos rebeldes que tentam depor o presidente sírio, Bashar Assad, cujo regime é apoiado por Vladimir Putin.

Para Alain Rodier, ex-oficial dos serviços de inteligência da França e diretor adjunto do Centro Francês de Pesquisa e Informação, o ataque turco ao avião russo tem um objetivo político: impedir a perspectiva de uma “grande coalizão” contra o Estado Islâmico que unisse Estados Unidos, França e Rússia, como deseja o presidente francês, François Hollande.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.