Otan apoiará ação na Líbia após EUA reduzirem participação, diz França

Países membros da aliança continuam em desacordo sobre seu papel na intervenção

estadão.com.br

22 de março de 2011 | 11h55

PARIS - O Ministério das Relações Exteriores da França disse nesta terça-feira, 22, que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) dará apoio à intervenção militar da coalizão ocidental na Líbia quando os Estados Unidos reduzirem sua participação na operação.

 

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"Quando os americanos decidirem dar um pequeno passo atrás, a Otan poderia entrar com apoio. Isso parece razoavelmente claro", disse o porta-voz do Ministério, Christine Fages.

 

Um encontro dos embaixadores dos países membros da Otan na última segunda-feira fracassou em chegar a um acordo sobre se a aliança, formada por 28 nações, deveria enviar uma missão para reforçar a zona de exclusão aérea mantida pela ONU na Líbia.

 

Fages reiterou a preocupação da França de que membros árabes da coalizão se oporiam ao controle da operação pela Otan.

 

 

O presidente francês Nicolas Sarkozy se opôs à entrega do controle da operação militar na Líbia à aliança, dizendo que a ação iria mandar mensagem errada para as nações árabes.

 

Em uma reunião do Conselho do Atlântico Norte na segunda-feira, o representante francês se retirou do encontro depois de ser acusado de dificultar o envolvimento da OTAN na campanha, segundo o jornal britânico The Guardian.

 

O representante alemão também deixou a reunião após o seu país ser criticado por não querer se envolver em uma ação militar.

 

Ainda de acordo com o Guardian, a França teria irritado o Reino Unido e os Estados Unidos ao anunciar no sábado que aviões franceses já estavam no ar e prontos para atacar a Líbia, antes mesmo que muitos de seus aliados tivessem ao menos deixado a reunião da coalizão que decidiu pelo início da intervenção militar.

 

Já a Itália voltou a pedir que o comando das operações militares na Líbia seja passado para a Otan, deixando claro o impasse entre as potências que lideram a coalizão.

 

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse que na primeira fase da operação havia a necessidade de uma ação rápida e que as forças individuais haviam sido deixadas sob seus comando nacionais para impedir um ataque imediato contra os rebeldes e civis líbios.

 

"As regras dizem que deve haver uma única coordenação, responsabilidades divididas, cada membro da coalizão tem que dividir as escolhas feitas e pagar o preço político", disse Frattini à radio RAI. "Não dá para imaginar que pode haver comandos diferentes".

 

Uma coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca e Espanha deu início no sábado, 19, a uma intervenção militar na Líbia, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A medida prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de 'quaisquer medidas necessárias' para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi.

 

(Com Reuters)

 

 

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