Otan assume que civis morreram em bombardeio no Afeganistão

Chanceler alemã lamenta "possível" morte de civis em ataque aéreo contra dois caminhões de combustível

08 de setembro de 2009 | 07h56

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reconheceu nesta terça-feira, 8, que o bombardeio realizado na semana passada contra dois caminhões de combustível sequestrados pelo Taleban provocou a morte de civis. A chanceler alemã, Angela Merkel, lamentou publicamente a possível morte de civis. O ataque deixou ao menos 90 mortos, incluindo insurgentes e civis que estavam no local para pegar combustível.

 

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Testemunhas disseram que as pessoas que estavam retirando combustível dos caminhões foram queimadas vivas no ataque. Uma investigação preliminar levou a Força de Assistência de Segurança Internacional (Isaf, na sigla em inglês) a acreditar que insurgentes e civis estão entre os mortos e feridos no ataque aéreo, indicou a Otan em comunicado. A nota diz ainda que o organismo realiza uma investigação mais detalhada para saber o número de civis mortos.

 

"Toda morte de civis é uma morte além da necessária, todo ferido inocente é um ferido além do necessário", disse Merkel no Parlamento alemão. "Quero manifestar meu mais profundo pesar ao povo afegão, caso tenha havido vítimas civis em consequência de uma atuação alemã", acrescentou a chefe do Executivo, que ressaltou que o "Afeganistão merece um futuro melhor e mais pacífico".

 

Apesar de Merkel ter feito menção à possibilidade de civis terem morrido na investida, a Isaf admitiu, em Cabul, que o bombardeio "matou e feriu" civis. Desde o ataque contra os dois caminhões, ocorrido na sexta-feira, Berlim diz que, até a obtenção de informações precisas, não é possível afirmar que houve vítimas civis.

 

Diante da enxurrada de críticas ao ministro da Defesa, Franz-Josef Jung, e à falta de transparência da pasta, Merkel decidiu, ela mesma, assumir o caso e ir ao Parlamento responder às perguntas sobre o caso. Em seu pronunciamento, a chanceler defendeu a cautela na divulgação de informações e disse que não queria falar dos resultados da investigação até que ela termine. "O que não tolero é que ninguém, de casa ou fora, faça julgamentos prematuros" sobre a atuação alemã, ressaltou a chanceler, em alusão às críticas de vários ministros de Relações Exteriores da Europa.

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