Otan assumirá controle da missão na Líbia na quarta, diz Obama

Presidente americano afirma que é responsabilidade do seu país garantir a segurança do povo líbio

estadão.com.br

28 de março de 2011 | 20h55

Presidente defendeu participação dos militares americanos na intervenção.

 

WASHINGTON - Em discurso para esclarecer a participação militar americana na intervenção na Líbia, o presidente dos EUA, Barack Obama, confirmou que o controle das operações da coalizão internacional no país africano será transferido à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que deve ocorrer na quarta-feira. Obama, porém, falou que seus militares continuarão a participar da incursão por se tratar de uma responsabilidade dos EUA.

 

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"Conseguimos impedir a ofensiva mortal de (Muamar) Kadafi. Não agimos sozinhos. Somos uma coalizão forte e em crescimento, contamos com vários parceiros, inclusive nações árabes", disse o presidente americano sobre os países que participam das ações militares contra as tropas do ditador líbio. "Quando nossos interesses e valores estão em jogo, temos responsabilidade de agir. Evitamos um massacre", disse. "Como presidente, me neguei a permitir que chegassem as imagens de brutalidade para então tomar uma atitude". 

 

 

Obama disse que "em apenas um mês, os EUA trabalharam com seus parceiros para mobilizar uma coalizão, impor uma resolução com a ONU, prevenir um massacre e estabelecer sanções e uma zona de exclusão aérea". "Prometemos que asseguraríamos a segurança dos civis líbios. Estamos cumprindo essa promessa. A Otan assume a responsabilidade pelo embargo de armas e pela zona de exclusão aérea na quarta-feira", detalhou o presidente, que iniciou o discurso agradecendo os militares americanos envolvidos na missão.

 

 

O líder americano reiterou que a ação militar da coalizão permitiu que os rebeldes contrários a Kadafi conseguissem reeguer a revolta e defendeu a participação dos EUA na incursão, argumentando que se ficasse de braços cruzados, o mundo estaria "traindo quem realmente é" e ficaria com "a consciência manchada". Os militares, porém, repeditamente têm dito que o objetivo da incursão militar é proteger os civis, e não auxiliar os rebeldes que querem derrubar o ditador, que está no poder há 41 anos.

 

Mais uma vez, Obama afirmou que "Kadafi perdeu sua legitimidade e deve sair do poder". Ele, porém, reiterou que a missão americana não está na Líbia para derrubar Kadafi e que os EUA "não enviarão tropas terrestres" ao país africano.

 

Sobre o futuro da Líbia, Obama disse que a transição democrática será "uma tarefa difícil" e cuja responsabilidade recairá principalmente "sobre o povo líbio", embora tenha admitido que os EUA deverão participar de alguma forma do período transitório. O presidente alertou para que não sejam cometidos os mesmo erros no Iraque, ou seja, para que Kadafi não seja deposto militarmente.

 

Desde que a coalizão internacional iniciou a incursão na Líbia para assegurar o cumprimento de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, no último dia 19, os rebeldes conseguiram retomar parte do país. Eles haviam encurralado Kadafi no início da revolução, mas as tropas do ditador, mais bem treinadas e equipadas, repeliram a investida.

 

Atualmente, o leste do país permanece sob controle rebelde. Na região fica Benghazi, o principal reduto dos insurgentes, onde eles instituíram um órgão de governo provisório. Kadafi, por sua vez, controla o oeste, onde está a capital, Trípoli. Cidades como Misrata, na região oeste, ainda são disputadas pelos dois lados.

 

 

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