Otan ataca complexo de Kadafi e mata 6

Grã-Bretanha convida conselho rebelde para abrir escritório oficial em Londres

, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

Ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atingiram ontem o complexo onde vive o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, em Trípoli. O ataque matou seis pessoas e deixou dez feridos. O local já tinha sido atacado na terça-feira. Segundo o governo líbio, todos os mortos são civis - informação que não pôde ser confirmada por fontes independentes.

A imprensa estrangeira foi autorizada a visitar o complexo de Bab al-Azaziyah para ver os estragos causados pelo bombardeio, que afetou casas e prédios vizinhos, incluindo um hotel onde alguns jornalistas estavam hospedados.

Se internamente Kadafi resiste à ofensiva rebelde, o ditador parece perder a guerra de relações públicas fora da Líbia. Funcionários do governo americano se reunirão hoje, pela primeira vez, com representantes da oposição líbia.

A missão será chefiada por Mahmoud Jibril, premiê do Conselho Nacional Transitório (CNT), que será recebido por Tom Donilon, conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos EUA, Barack Obama.

Os dissidentes também receberam apoio de Londres. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, convidou ontem o CNT para abrir uma representação diplomática na Grã-Bretanha. A decisão foi anunciada após uma reunião do premiê com Mustafa Abdul Jalil, presidente do conselho rebelde.

"O governo convida o CNT a estabelecer um escritório formal aqui em Londres", disse Cameron, que qualificou o conselho como "representante legítimo do povo líbio". A representação seria a primeira do grupo rebelde na Europa.

Prisão. O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, afirmou ontem que é "provável" que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emita um mandado de prisão contra Kadafi até "o fim do mês".

"Se eu tiver de dar um prazo para o fim da missão italiana na Líbia, há um momento-chave que é até o fim do mês, quando, segundo todas as probabilidades, o procurador do TPI emitirá os mandados de prisão contra Kadafi e alguns membros de seu regime, talvez até de sua família", disse o chanceler.

Frattini considerou que o final do mês é o prazo final para o ditador líbio escolher uma outra saída, provavelmente o exílio, porque após a emissão de um mandado de prisão a situação mudará.

"A partir desse momento não será mais possível imaginar uma saída do poder e do país por parte de Kadafi. É evidente que, depois da emissão do mandado de prisão, toda a comunidade internacional terá a obrigação jurídica, e não militar, de persegui-lo, como fizemos com (Slobodan) Milosevic e (Ratko) Mladic", disse o chanceler, em referência aos líderes sérvios acusados de crimes de guerra pelo TPI.

Otan. De acordo com Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da Otan, a aliança atlântica terá um papel-chave na Líbia pós-Kadafi e também quando forem concluídos os combates no Afeganistão. "Uma parte essencial da transição para a democracia é que os setores militar e de segurança fiquem sob controle democrático. Na ocasião, precisaremos de reformas e a Otan pode assessorar", disse Rasmussen em discurso para estudantes em Washington. / AP e REUTERS

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