Otan ataca rede de TV estatal em Trípoli

Pelo menos 3 pessoas morreram e 15 ficaram feridas em bombardeios realizados pela Otan contra três estações transmissoras da emissora de televisão estatal líbia em Trípoli, ontem. A rede estaria sendo utilizada pelo governo do ditador Muamar Kadafi para incitar a violência e ameaçar civis, segundo a aliança.

AFP e AP, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

A Otan declarou que os militares conduziram ataques aéreos de precisão contra os transmissores "para reduzir a capacidade do regime de Kadafi de oprimir os civis".

"Há algumas horas, a Otan realizou ataques aéreos contra três transmissores de tevê via satélite líbios (...) com o objetivo de impedir que o coronel Kadafi as utilize para intimidar e incitar atos de violência contra a população", informou a aliança atlântica em comunicado publicado em sua página na internet.

O número de mortos e feridos foi divulgado, também em comunicado, pela direção da rede atingida pelos bombardeios. "Três de nossos colegas foram mortos e outros 15 se feriram enquanto cumpriam seu dever profissional como jornalistas", informou o diretor da emissora Al-Jamahiriya, Jaled Bazilia.

O diretor classificou os ataques de "um ato de terrorismo internacional" e disse que os bombardeios violam as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

"Somos empregados da televisão oficial da Líbia. Não temos objetivos militares, não somos comandantes do Exército e não constituímos uma ameaça para os civis", declarou Bazilia. "Temos direito de trabalhar em um ambiente seguro, protegidos pelo direito internacionais."

Ajuda. O comitê de monitoramento das sanções contra a Líbia deverá considerar pedidos por parte do governo de Muamar Kadafi e dos rebeldes em Benghazi para descongelar fundos para o pagamento de remédios e outros itens de assistência humanitária.

O embaixador de Portugal na ONU, Jose Filipe Cabral, disse que os governos rivais enviaram cartas ao comitê, retransmitidas às 15 nações integrantes.

Segundo ele, parece haver consenso entre os membros do comitê de que se trata de um pedido legítimo e poderá ser feita uma exceção às sanções impostas contra o regime, nesse caso.

"Todos estão preocupados (com as condições humanas). Mas, obviamente, para descongelar os recursos nós devemos ter pedidos concretos e garantias de ambos os lados."

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