Filippo Monteforte/AFP
Filippo Monteforte/AFP

Otan bombardeia cidade de Kadafi e rebeldes exigem rendição até sábado

Conselho de Transição dá ultimato a tropas fiéis ao regime - concentradas em Sirte, terra do ditador - para entregar suas armas e abrir seus acessos até o fim de semana; caças da aliança atlântica acentuam ataques para limpar terreno para a insurgência

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI

Tropas leais ao regime de Muamar Kadafi, cercadas em enclaves no interior do país como Sirte e Sabha, devem depor as armas e abrir suas portas às forças rebeldes ou serão atacadas a partir de sábado. O ultimato foi dado ontem pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), o governo provisório dos insurgentes. Em Sirte, terra natal do ditador, bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) preparam terreno.

Até aqui, o CNT conduzia o diálogo com os líderes tribais dos enclaves sem fixar prazos. Ontem, o presidente do conselho, Mustafa Abdel Jalil, foi direto: "Nós não queremos chegar a esse ponto, mas nós não podemos esperar mais", advertiu.

Segundo Jalil, a campanha militar sobre Sirte é iminente. "Estamos prontos do ponto de vista militar para a batalha que colocará um ponto final no conflito", completou Ahmed Omar Bani, porta-voz das Forças Armadas rebeldes. "Nós exortamos a população de Sirte a levantar-se. Suspeitamos que as tropas leais a impedem de sair da cidade."

Entre domingo e segunda-feira, o Estado presenciou os preparativos para a eventual batalha. Tanques, lançadores de foguetes BM-21 Grad e carros leves tomaram posição no deserto a uma centena de quilômetros da cidade. Na linha de frente, alguns insurgentes esperam que não sejam necessários mais combates. "Não quero mais lutar. Os habitantes de Sirte são nossos irmãos. Kadafi já acabou e não queremos mais derramamento de sangue", disse Hamza Ibrahim Mohammed, de 25 anos.

Sirte, cidade de 73 mil habitantes situada a 430 km de Trípoli, é mais do que um símbolo: é também decisiva para a liberação da rota costeira que corta a Líbia de leste, da fronteira com o Egito, ao oeste, com a Tunísia. Ela está cercada tanto pelo oeste, por rebeldes vindos de Misrata, quanto pelo leste, por insurgentes de Benghazi. De ambos os lados, as forças chegam a cerca de 30 km a 40 km da entrada da cidade, mas recuam durante o dia.

A presença de kadafistas estende-se também a outras cidades do deserto, como Bani Walid. Ontem, o porta-voz da Otan, Roland Lavoie, confirmou a "presença variável de forças em várias cidades e vilarejos costeiros" da região. Sobre Bani Walid está um dos rumores sobre a presença de Kadafi. Outra suspeita é a de que o ditador esteja em outro local favorável, Sabha, a 800 km ao sul de Trípoli, no Saara.

 

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