Otan bombardeia pelo 2º dia centro de Trípoli

Líbia denuncia agressão de ''cruzados colonialistas'' e diz que 19 pessoas morreram; aliança afirma ter atacado veículos e mísseis do regime Kadafi

, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atacou pelo segundo dia seguido Trípoli, a capital da Líbia. De acordo com o governo do líder Muamar Kadafi, ao menos 19 pessoas morreram nos bombardeios. No dia anterior, um ataque contra o complexo militar de Bab al-Aziziya havia deixado três mortos.

Seis fortes explosões foram ouvidas em Trípoli em um intervalo de apenas dez minutos. A TV estatal denunciou o ataque dos "cruzados colonialistas". A agência estatal Jana informou que uma rede de TV perto de Misrata, sitiada pelas tropas de Kadafi, também foi atacada, provocando danos materiais e humanos.

Segundo a Otan, os alvos do segundo dia de ataque foram depósitos de veículos e mísseis e um centro de controle nos arredores da capital. Em Misrata, posições do Exército líbio também foram atingidas.

"Estivemos bem ativos nas últimas 24 horas e continuaremos assim", disse um porta-voz da aliança atlântica. "Continuaremos com os ataques até que eles tenham os efeitos desejados."

De acordo com o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppe, os bombardeios devem alcançar seus objetivos nos próximos meses. "Há cada vez mais resistência a Kadafi, principalmente no oeste do país", disse ele ontem ao Parlamento francês. "As deserções estão aumentando."

O chanceler britânico, William Hague, atenuou os temores de que a coalizão esteja entrando em um confronto similar ao do Iraque. "É muito diferente do Iraque. Lá houve um grande número de soldados estrangeiros no terreno", disse à rádio BBC.

Ofensiva. A intensidade dos ataques da Otan, concentrados na área do complexo de comando, no centro de Trípoli, pareceu refletir uma decisão da Otan de intensificar o ritmo da guerra aérea sobre a capital líbia, possivelmente com o objetivo de romper o impasse que ameaça se instalar no conflito, que já dura 3 meses.

Funcionários do governo do país acusaram a Otan de repetidas tentativas de assassinar Kadafi com ataques aéreos contra o complexo e suas imediações, e o próprio Kadafi caçoou dos ataques, dizendo que a Otan não pode atingi-lo porque ele mora "no coração de milhões".

Apesar de mais de 2,5 mil ataques aéreos, concentrados recentemente em alvos em Trípoli, são poucos os sinais de um colapso iminente do governo. Ontem, o Pentágono informou que forneceria mais armamentoà Otan. / REUTERS, AFP e NYT

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