Otan dá pouca atenção à ameaça da Rússia sobre tratado

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não deu muita importância ao apelo feito pela Rússia na quarta-feira por um novo acordo capaz de substituir o tratado atualmente em crise e que aborda a limitação do contingente militar estacionado na Europa do pós-Guerra Fria. O governo russo ameaça retirar-se desse tratado. James Appathurai, porta-voz da Otan, disse ser difícil acompanhar a constante mudança de opinião da Rússia a respeito do Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) e acrescentou: "Não façamos drama demais. Vamos discutir isso de maneira sóbria." O porta-voz descreveu como "inúteis" os comentários feitos pelo chefe do departamento de acordos internacionais do Ministério de Defesa da Rússia, Yevgeny Buzhinsky, sobre não haver motivo para realizar a conferência proposta pela Otan e na qual se discutiria o futuro do CFE. O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou no sábado a retirada de seu país do tratado a partir da metade de dezembro próximo. A manobra seria uma retaliação aos planos dos EUA de colocar partes de um escudo de defesa antimíssil na Polônia e na República Tcheca. Segundo Appathurai, a Otan, formada por 26 países, continuaria a seguir o tratado apesar de os membros dela não terem ratificado a versão atualizada do documento porque exigem que a Rússia, antes da ratificação, retire suas forças da Moldávia, uma ex-República soviética. O CFE limita a quantidade de armamentos pesados, tais como tanques e helicópteros, que pode ser estacionada em cada região, mas Appathurai observou que os russos já tinham dito não ter planos de deslocar tropas mais para o Ocidente. O porta-voz reconheceu ter havido um aumento da temperatura nas desavenças entre a Rússia e o Ocidente em torno de vários assuntos, entre os quais o futuro de Kosovo, o escudo antimíssil e o CFE. Mas ressaltou ser um erro falar em uma nova Guerra Fria. "Há várias questões capazes de provocar irritação", disse, antes de observar que os russos continuavam comprometidos em solucionar as disputas por meio do diálogo, ao contrário da posição adotada em 1999, quando a Rússia rechaçou negociações depois de a Otan ter realizado bombardeios para expulsar as forças sérvias de Kosovo. "Temos de ter cuidado para não jogar a criança fora junto com a água do banho. Temos de continuar a manter uma relação, apesar de isso não ser fácil." (Reportagem de Paul Taylor, edição em português 5511 5644-7750)) REUTERS CP

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