Otan decide retomar relações com Rússia

Medida busca intensificar apoio de Moscou à aliança no Afeganistão

AP, AFP, Efe e Reuters, BRUXELAS, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

Chanceleres da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reunidos em Bruxelas, na Bélgica, decidiram ontem retomar as relações formais da aliança com a Rússia na esperança de conseguir mais apoio de Moscou em sua batalha para estabilizar o Afeganistão. Os laços entre as partes foram suspensos em agosto, após a ofensiva do Kremlin na Geórgia."A Rússia é um importante interlocutor mundial e não se relacionar com ela não é uma opção", afirmou o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer. Segundo ele, a próxima reunião do Conselho Otan-Rússia deve ocorrer depois de uma reunião da aliança marcada para os dias 3 e 4.O Kremlin recebeu bem a notícia, afirmando que era uma "ação promissora" em termos de estabilidade e segurança no Afeganistão. "Essa decisão é positiva", disse o embaixador russo na Otan, Dmitri Rogozin. Antes da reunião da Otan, a Rússia havia dito que permitiria o trânsito de materiais do Exército americano para o Afeganistão. A aliança vem enfrentando constantes ataques de militantes às suas rotas de abastecimento no Paquistão e espera que a ajuda russa se expanda para o tráfego aéreo de suprimentos na região.Para obter o acordo, os chanceleres tiveram de vencer a dura oposição da Lituânia, uma das ex-repúblicas soviéticas, que considerou a decisão "prematura". O representante do país na Otan ainda afirmou que seria mais prudente encorajar a Rússia a ser mais "cooperativa" antes de retomar os laços com o Kremlin.NOVA FASEAntes do anúncio, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, havia pedido uma nova fase das relações da aliança com Moscou, mas com a ressalva de que as portas da organização deveriam continuar abertas para a Geórgia e Ucrânia - adesão à qual o Kremlin se opõe. Hillary ainda disse que chegou o momento de explorar um "novo começo" com o governo russo. "Temos de encontrar maneiras de trabalhar construtivamente com a Rússia nas áreas que compartilhamos interesses em comum", disse a secretáriaSegundo ela, os russos poderiam ajudar no plano de estabilização do Afeganistão, além de contribuir para temas como o controle de armas e as questões referentes ao Irã e à Coreia do Norte. Hillary assegurou que os EUA estão comprometidos a reforçar a aliança transatlântica e impulsionar uma "Europa forte". Ela dará continuidade à estratégia do governo do presidente Barack Obama de se reaproximar da Rússia hoje ao se encontrar com o chanceler russo, Seguei Lavrov, em Genebra.COOPERAÇÃO Interesses comuns: Rússia e Otan poderiam intensificar ajuda na estabilização do Afeganistão Divergências: Moscou é contra a adesão da Geórgia e da Ucrânia à aliança

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