REUTERS/Jonathan Ernst
REUTERS/Jonathan Ernst

Otan desafia a Rússia e convida Montenegro para integrar aliança

Moscou reagiu falando em medidas retaliatórias por considerar a expansão da organização para o leste europeu uma 'provocação'

O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2015 | 12h45

BRUXELAS - Os ministros das Relações Exteriores da Otan convidaram nesta quarta-feira, 2, Montenegro a se tornar o membro número 29 da organização e receberam a pequena nação em sua aliança militar, na primeira expansão do grupo desde 2009, desafiando as advertências russas de que uma ampliação do bloco liderado pelos EUA nos Bálcãs era uma "provocação".

Em uma sessão roteirizada na sede da Otan, em Bruxelas, o ministro das Relações Exteriores de Montenegro, Igor Luksic, entrou na sala de conferências recebendo aplausos. "Este é o início de uma linda aliança", disse o chefe da Otan, Jens Stoltenberg.

Diplomatas da Otan disseram que a decisão de convidar o Estado de 650 mil habitantes envia uma mensagem para a Rússia de que Moscou não possui um veto na expansão da Otan, mesmo que a candidatura da Geórgia tenha sido complicada pela guerra de 2008 com a Rússia.

Após a Albânia e a Croácia se juntarem à Otan em 2009, somente a Sérvia, aliada mais próxima da Rússia nos Bálcãs, não busca ativamente participação na aliança.

Moscou se opõe a qualquer extensão da Otan para regiões ex-comunistas no leste e sudeste da Europa, como parte de uma luta por influência sobre países que estavam sob o satélite da antiga União Soviética.

Ministros das Relações Exteriores da Otan cortaram contatos formais com a Rússia em abril do ano passado, após Moscou anexar a península da Crimeia, na Ucrânia, e iniciar um conflito no leste ucraniano, que deixou mais de 8 mil mortos.

Reação. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a expansão contínua da Otan para o Leste Europeu vai levar a medidas retaliatórias por parte da Rússia. Peskov acrescentou que as sanções impostas pela Rússia sobre a Turquia por conta do abatimento de um avião russo são diferentes das que o Ocidente impôs à Rússia pela crise na Ucrânia, à medida que as sanções russas na Turquia são preventivas e por questões de ameaças terroristas.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, havia dito em setembro que qualquer expansão da Otan era "um erro, talvez uma provocação". Em comentários à mídia russa, ele descreveu a então chamada política de portas abertas da Otan como "irresponsável". /AFP e REUTERS


Tudo o que sabemos sobre:
OtanMontenegroRússiaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.