Otan desenha saída de aliados do Afeganistão

Reunião em Lisboa traça estratégia para retirar tropas de combate e deixar a segurança em mãos do governo local

Jair Rattner, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

Sete anos depois de entrar no Afeganistão e contando mais de 2 mil soldados mortos no país, os 28 Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os outros 20 países que fazem parte da Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf, nas sigla em inglês) - vão decidir hoje a estratégia para deixar o país.

A decisão será tomada durante a cúpula da Otan em Lisboa, que vai marcar o início da passagem do controle da segurança do Afeganistão para as forças afegãs. A reunião de cúpula - que conta com a presença do presidente afegão, Hamid Karzai, e do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon - deve mudar a forma como a aliança atua no Afeganistão. Passada o que foi qualificada como a fase de estabilização, entra agora o momento de transição, no qual as forças de segurança afegãs assumirão gradualmente a responsabilidade pela manutenção da ordem.

"A transição vai começar no início de 2011 e deve ir de forma gradual até 2014. Isso não significa que vamos retirar todas as tropas em 2014. Vamos permanecer ainda um bom tempo por lá, mas com outras tarefas, principalmente de formação", disse o secretário-geral da Otan, Anders Rasmussen.

Segundo ele, a data prevista de dezembro de 2014 corresponde a "uma ambição do presidente Karzai". A ministra da Defesa da Espanha, Carmen Chacón afirmou que "a cúpula marca o fim da missão no Afeganistão. Isso será feito passo a passo, província a província, passando a responsabilidade para os afegãos".

Ela afirmou que as tropas espanholas deverão ser das primeiras a transferir o poder. "As duas províncias do Afeganistão em que estamos são as mais estáveis. Devemos concluir a transição em 2012", disse Chacón.

O responsável civil da Otan no Afeganistão, Mark Sedwill, deu alguns detalhes sobre o abandono progressivo do Afeganistão por parte das forças internacionais a partir de 2011. "Achamos que este objetivo - de ceder o controle da segurança até o final de 2014 - é realista e temos planos para isso. Se as circunstâncias permitirem, isso poderia ocorrer antes do previsto." No entanto, ele reconheceu que em algumas regiões do país a transferência do controle poderia demorar entre 18 e 24 meses, e seu trabalho, atualmente, é identificar por quais províncias começar esta transição.

Apesar de Portugal ter um contingente pequeno no Afeganistão, o ministro da Defesa Augusto Santos Silva afirmou que a mudança já começou. "Na última rotação, retiramos as forças de reação rápida e substituímos por 40 instrutores militares."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.