Otan detecta aviões russos na Europa

Documento da organização não associa ação com crise na Ucrânia, onde eleições legislativas deram vitória ao governo pró-Ocidente

BRUXELAS , O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h04

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse ontem ter detectado "uma intensa e incomum atividade" militar russa no espaço aéreo europeu. Em comunicado, a organização afirma ter visto quatro grupos de aviões militares russos realizando "manobras militares significativas".

Entre a tarde de terça-feira e ontem, a Otan detectou e seguiu o trajeto de pelo menos 26 aviões militares russos sobre o Mar Báltico, Mar no Norte, Mar Negro e Oceano Atlântico. Caças aliados interceptaram modelos russos bombardeiros Tu-95, caças Su-27, MiG-31 e aviões cisterna II-78.

"A interceptação é um procedimento padrão quando um avião não identificado se aproxima do espaço aéreo da Otan", afirmou o comunicado, acrescentando que realizou três vezes mais interceptações de aeronaves russas neste ano do que em 2013.

Segundo a organização, a interceptação mais importante ocorreu ontem quando um grupo de oito aviões russos seguia do Mar do Norte para o Oceano Atlântico, perto da costa de Portugal.

O documento da Otan não relaciona a atividade militar russa com a crise na Ucrânia, onde eleições legislativas resultaram na vitória do grupo governista, que tem uma postura de aproximação com a Europa e afastamento do governo russo do presidente Vladimir Putin.

Continuidade. O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, disse ontem que espera continuar no cargo em um novo governo reformista pró-Europa, após seu partido ter garantido uma pequena vantagem nas eleições do domingo.

As negociações sobre as divisões de poder no país estão em curso nos bastidores, depois que a votação deu uma vitória aos partidos comprometidos com a integração da região à Europa, apesar do movimento pró-Rússia conduzido por separatistas no leste da Ucrânia.

"O partido que ficou em primeiro lugar nas eleições tem de abrir o processo de formação de uma coalizão, o líder desse partido encabeça o governo", disse Yatseniuk, fazendo referência ao Partido da Frente Popular, que está à frente do grupo político do presidente Petro Poroshenko, que obteve pouco mais de 22% dos votos dos partidos.

Especula-se, no entanto, que Poroshenko, um magnata do setor de alimentos de 49 anos que emergiu como presidente após a derrubada do líder apoiado por Moscou no ano passado, daria preferência a um correligionário próximo, Volodymyr Groysman, atualmente vice-premiê, como chefe do novo governo. /AFP e REUTERS

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