Paulo Novais/EFE
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Otan discute plano de retirada do Afeganistão

Obama, o presidente afegão e líderes da aliança de 28 membros se reuniram para estruturar plano de transferência da segurança no país para as forças locais afegãs

AE-AP, Agência Estado

20 de novembro de 2010 | 10h27

Os dirigentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) discutem, em reunião neste sábado, em Lisboa, a estratégia da aliança para sair do Afeganistão e qual tipo de presença militar, de aconselhamento, treinamento e logística deve permanecer no longo prazo, para evitar que o país destruído pela guerra volte a mergulhar no caos.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama; o presidente afegão, Hamid Karzai, e líderes da aliança de 28 membros se reuniram a portas fechadas para estruturar um plano de transferência de responsabilidade pela segurança no país para as forças locais afegãs, começando no próximo ano, e que será aplicado em etapas até ser concluída em 2014. "A partir de hoje, a direção está clara e seguirá sendo em direção à liderança afegã", afirmou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, em seu discurso de abertura do evento.

Apesar da retirada das tropas, oficiais da Otan ressaltaram que a aliança irá manter uma presença militar no Afeganistão mesmo após o fim da transição. "Nós vamos buscar um acordo aqui, hoje, para uma parceria de longo prazo entre a Otan e o Afeganistão que perdurará para além do fim da nossa missão de combate", disse Fogh Rasmussen. "Se os inimigos do Afeganistão pensam que podem esperar até sairmos, eles têm uma ideia errada. Vamos ficar o tempo que for preciso para terminar o nosso trabalho."

O embaixador dos EUA na Otan, Ivo Daalder, disse que a meta de 2014 e o fim do papel de combatente da Otan no Afeganistão após esta data "não são a mesma coisa". Mas muitas nações da Otan têm insistido que irão remover todas as suas tropas até 2014, e o ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, reiterou que seu país vai encerrar o seu papel de combatente no Afeganistão até 2015.

A data final para a transmissão do controle da segurança para os afegãos é de três anos após o momento em que Obama começar a retirar as tropas dos EUA e o desafio é evitar saída apressada neste momento em que a opinião pública ampliou a oposição à guerra e Karzai tenta ampliar o seu controle no Afeganistão.

Rússia. Outra questão importante no segundo dia da reunião de dois dias dos 28 líderes da Otan será o encontro com o presidente russo Dmitry Medvedev. A Otan e Moscou devem assinar acordos para ampliar as rotas da aliança para abastecimento do Afeganistão através da Rússia, e criar um novo programa de treinamento para os agentes de combate a narcóticos do Afeganistão e de outros países da Ásia Central. Eles também esperam chegar a acordo sobre um programa para fornecer treinamento para a tripulação de helicópteros do Afeganistão.

Obama conquistou o apoio da Otan para construir um escudo antimísseis sobre a Europa, um compromisso ambicioso para proteger a região contra um ataque iraniano e uma demonstração da contínua pertinência da aliança. Duas importantes questões não respondidas sobre o escudo antimísseis foram colocadas de lado no momento atual para que o acordo fosse celebrado como um sinal de solidariedade dentro da Otan: o escudo vai funcionar e os europeus podem pagar isso?

Com base no acordo, um sistema limitado de antimísseis interceptores e radares dos EUA já planejados para a Europa - incluindo interceptores na Romênia e na Polônia e possivelmente um radar na Turquia - estaria conectado às defesas de mísseis da própria Europa. Isso criaria um amplo sistema que protegeria todos os países da Otan contra ataques de mísseis de médio alcance.

A Otan pretende convidar a Rússia a se unir ao esforço do escudo antimísseis, a despeito de não conceder o controle compartilhado a Moscou. O gesto seria um marco histórico para a aliança, criada após a Segunda Guerra Mundial para defender a Europa Ocidental contra a ameaça de uma invasão pelas forças soviéticas. Quanto ao tratado de armas entre EUA e Rússia, Obama recebeu o apoio de Fogh Rasmussen, que disse aos jornalistas que o acordo, chamado New Start e assinado em abril por Obama e Medvedev, irá melhorar a segurança não só na Europa, mas para além da região.

Os aliados abriram a cúpula com um acordo para reescrever, pela primeira vez desde 1999, os termos da missão básica da Otan - formalmente chamada de "conceito estratégico". Eles reafirmaram o compromisso de que um ataque a um de seus membros será tratado como um ataque contra todos. Com base nesse contexto, o acordo para construir uma defesa antimísseis para toda a Europa destinaria-se a reforçar a aliança. O que permanece em desacordo, porém, é a questão das armas nucleares na estratégia de base da Otan. Um documento com o qual os membros concordaram na sexta-feira prevê que a Otan irá reter uma "combinação adequada de capacidades convencionais e nucleares" para deter um potencial agressor. Alemanha e alguns outros membros da Otan querem a retirada das armas nucleares dos EUA da Europa.

O espectro do impasse sobre o Afeganistão pairava sobre a reunião de Lisboa. O general David Petraeus, o principal comandante dos EUA e da Otan no Afeganistão, deveria fazer uma apresentação a portas fechadas para detalhar a sua visão de como fazer a transição para o controle afegão. Petraeus deverá enfatizar que o reforço militar das operações neste ano, com a adição de milhares de tropas de combate dos EUA, ajudou na direção de enfraquecer o Taleban e acabou criando as condições para negociações de paz.

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