Otan diz não saber se Kadafi continua vivo

Aliança aumenta ataques contra capital da Líbia, mas volta a negar que ditador seja um dos alvos de seus bombardeios

AFP, Reuters e AP, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2011 | 00h00

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse ontem não saber se o ditador líbio, Muamar Kadafi, continua vivo, mas voltou a negar que ele esteja entre os alvos de seus ataques aéreos a Trípoli. Os bombardeios têm se intensificado desde segunda-feira e visam, segundo a aliança atlântica, "proteger os civis". "Todos os alvos da Otan são alvos militares, o que significa que todos os alvos que estamos atacando, como na noite de segunda-feira, em Trípoli, são centros de comando ou bunkers utilizados pelo regime líbio", explicou, em Bruxelas, o general italiano Claudio Gabellini.

Em Trípoli, muitos questionam o sumiço de Kadafi, que não aparece em público há dez dias, desde que escapou do ataque aéreo que matou seu filho, Said al-Arab. Autoridades líbias confirmaram que, na ocasião, o ditador estava na casa destruída pelo bombardeio da Otan.

A última aparição pública de Kadafi foi no dia 30. Na ocasião, ele concedeu uma entrevista à rede de televisão Al-Jazira, em que pediu à comunidade internacional que negociasse diretamente com a Líbia. Desde esse dia, não foi mais visto.

Kadafi nem sequer compareceu ao funeral de Said al-Arab e de três de seus netos, também mortos no ataque. Segundo Trípoli, a ausência do líder foi por "razões de segurança". O governo da Líbia acusa a Otan de bombardear propositalmente a casa do filho do ditador e de ter Kadafi como alvo.

A aliança atlântica, contudo, afirmou ontem que "não mira em indivíduos". Questionado sobre se Kadafi continua vivo, Gabellini disse não ter nenhuma prova. "Não sabemos o que ele está fazendo agora. Na realidade, não estamos interessados no que ele está fazendo. Nosso mandato é proteger os civis dos ataques", afirmou.

A Otan lançou uma série de violentos bombardeios aéreos à capital da Líbia na madrugada de segunda para terça-feira. Os ataques, os mais intensos em semanas, atingiram alvos estratégicos na cidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.