AFP / Emmanuel Dunand
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Otan diz que ascensão da China é desafio e busca alianças no Pacífico

Secretário-geral da aliança militar afirmou que é preciso resistir a ameaças para as sociedades abertas e liberdades individuais e não aceitar intimidações nem coerções

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2020 | 09h49

BRUXELAS - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou nesta segunda-feira, 8, que a ascensão da China se tornou um desafio e assegurou que a aliança militar vai fortalecer sua associação com países da região do Pacífico como Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul.

"A Otan não vê a China como o novo inimigo ou adversário. Mas vemos que a ascensão da China muda o equilíbrio global de poder", disse Stoltenberg, dizendo que está aumentando a corrida pela supremacia econômica e tecnológica. "(A ascensão da China) Multiplica as ameaças para as sociedades abertas e liberdades individuais e aumenta a competição sobre nossos valores e nossa forma de vida". 

Nos próximos dez anos, afirmou que a Otan deve trabalhar ainda mais com países de mentalidade parecida como Austrália, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul para "defender as normas e instituições globais que nos mantiveram durante décadas". "Para manter as normas e padrões sobre o espaço e o ciberespaço, sobre novas tecnologias e o controle global de armas. E, em última instância, para defender um mundo construído sobre a liberdade e a democracia, e não em intimidação e e coerção". 

O secretário-geral aludiu ainda às ameaças conhecidas da Rússia e de grupos terroristas como o Estado Islâmico em uma reunião organizada por videoconferência pelo Conselho Atlântico. A Otan é formada por 29 países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Canadá. 

Stoltenberg afirmou que a Otan lançou um grupo de trabalho com especialistas, Estados-membros, o setor público, o privado e líderes jovens para avaliar como enfrentar os desafios do futuro. "Devemos seguir fortes militarmente mas ainda mais unidos politicamente e ter um foco cada vez mais amplo no nível global", disse, pedindo vontade política de usar a Otan como uma plataforma entre a Europa e a América. 

Stolterberg pediu ainda trabalho conjunto para reforçar a resiliência das sociedades e das economias para assegurar que "não importemos vulnerabilidades na nossa infraestrutura crítica, nas indústrias e nas cadeias de fornecimento".  

Stoltenberg lembrou que, após a Guerra Fria, os Estados Unidos diminuíram sua presença militar, mas nos últimos anos houve um aumento, ao responder sobre o suposto plano do presidente Donald Trump de retirar 9.500 tropas de bases na Alemanha. "Nos últimos anos vimos uma maior presença dos EUA e mais investimento em equipes pré-posicionadas, uma maior presença no mar Negro e no Mediterrâneo", exemplificou.

Ele afirmou ter falado ao telefone com Trump sobre questões de segurança e os esforços conjuntos contra o terrorismo internacional e a "importância de manter a Otan forte em um mundo cada vez mais competitivo".  /  EFE 

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