James Hill/The New York Times
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Otan diz que Rússia precisa cooperar em inquérito de envenenamento de Navalni

Kremlin diz não ver 'indícios de crime' apesar da Alemanha confirmar que o opositor de Putin foi envenenado por agente nervoso Novichok

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 13h00

BRUXELAS - Aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordaram nesta sexta-feira, 4, que a Rússia precisa cooperar totalmente com uma investigação imparcial sobre o envenenamento do líder de oposição Alexei Navalni a ser realizada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), disse o chefe da aliança.

A Alemanha, onde Navalni está hospitalizado, disse que ele foi envenenado com o agente nervoso Novichok, desenvolvido por cientistas soviéticos entre as décadas de 1970 e 1980. A arma química, vetada pela Opaq, foi usada em 2018 para envenenar o ex-espião Serguei Skripal e sua filha Yulia em Salisbury, no Reino Unido. Na época, o Kremlin negou envolvimento. No caso atual, os russos dizem não ver "indícios de um crime".

“Qualquer uso de armas químicas mostra um desrespeito total por vidas humanas e é uma violação inaceitável das normas e regras internacionais”, disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em coletiva de imprensa.

“Nossos aliados concordam que agora a Rússia tem perguntas sérias a responder. O governo russo precisa cooperar plenamente com a Organização para a Proibição de Armas Químicas em uma investigação internacional imparcial”, defendeu em reunião com embaixadores da aliança.

Navalni é o oponente mais popular e proeminente do presidente russo, Vladimir Putin. Ele é fundador do Fundo Anticorrupção (FBK), entidade que se tornou conhecida nos últimos anos por descobrir e publicar nas redes sociais escândalos de corrupção das elites políticas e empresariais russas.

No ano passado, ele afirmou ter sido envenenado com uma substância que lhe causou um grave reação alérgica durante uma de suas diversas passagens pela prisão. Em 2017, foi atacado por um homem desconhecido com um líquido verde, perdendo 80% da visão de um olho e sofrendo queimaduras químicas.

O anúncio alemão desta semana de que ele foi envenenado com um agente nervoso levantou a possibilidade de mais sanções ocidentais contra Moscou. Stoltenberg disse que os aliados da Otan pediram a Moscou uma divulgação completa de seu programa Novichok à Opaq. “Aqueles responsáveis pelo ataque precisam ser responsabilizados e levados à Justiça. Uma vez após outra vemos líderes da oposição e críticos do regime russo serem atacados e suas vidas serem ameaçadas. Alguns até foram mortos”, disse.

Descrevendo o caso Navalni como “um ataque contra direitos democráticos fundamentais” e também contra um indivíduo, Stoltenberg disse que os aliados da Otan continuarão a se consultar a respeito do incidente e “considerar suas implicações”. / Reuters

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