Otan diz ter provas de que centenas de militares russos invadiram Ucrânia

Acirramento. Organização militar divulga fotos de satélite para apontar movimentação militar russa em território ucraniano e envolvimento de Moscou com separatistas; Conselho de Segurança tem reunião de emergência e Obama fala em 'novas consequências'

NOVOAZOVSK, UCRÂNIA , O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2014 | 02h00

Em uma grande escalada do conflito no Leste Europeu, a Ucrânia, os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acusaram ontem a Rússia de invadir o território ucraniano. A aliança militar afirmou que mais de mil soldados russos cruzaram a fronteira e divulgou fotos de satélite como prova da movimentação, que foi desmentida por Moscou.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou em reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional que forças russa haviam entrado na Ucrânia e pediu calma à população. "Desestabilização e pânico são armas do inimigo assim como seus tanques", afirmou Poroshenko, que decretou o alistamento obrigatório de reservistas e cancelou viagem à Turquia, onde assistiria à posse do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Segundo o porta-voz do conselho, Andri Lysenko, duas colunas de tanques e veículos militares entraram pelo sudeste da Ucrânia após mísseis Grad serem disparados contra postos da fronteira, fazendo com que guardas abandonassem o local. Ele disse que as forças ucranianas estavam preparando uma contraofensiva, mas rejeitou fornecer mais detalhes sobre o plano. Lysenko ainda acusou a Rússia de enviar novos sistemas de defesa antiaéreos para os rebeldes no leste ucraniano.

Reiterando as informações do coronel, o brigadeiro Nico Tak, da Otan, disse que pelo menos outros 20 mil soldados russos estavam estacionados na fronteira. Os que já tinham entrado levaram com eles, segundo ele, equipamentos militares sofisticados, "deixando claro que houve a invasão" pelo sudeste. Ele acrescentou que o objetivo final da Rússia é evitar uma derrota dos separatistas e "congelar o conflito" no leste da Ucrânia, o que desestabilizaria o país indefinidamente.

Mas todas as acusações foram negadas veemente pelo Ministério da Defesa russo. "Estamos cientes da divulgação desse 'embuste' de informação e nos vemos obrigados a decepcionar seus autores estrangeiros", declarou o general Igor Konashenkov à agência de notícias Interfax. Segundo o ministério, os únicos soldados russos na Ucrânia são os dez paraquedistas capturados por forças de Kiev na segunda-feira. O presidente Vladimir Putin disse que continuará a enviar ajuda humanitária à Ucrânia.

A cidade de Novoazovsk, segundo relatos de agências internacionais, estava sob total controle de separatistas e seus defensores russos, abrindo uma nova e terceira frente na guerra com as forças de Kiev. A batalha concentra-se também em Donetsk e Luhansk. Segundo Poroshenko, mercenários, apoiados por militares russos, estavam tentando tomar posições protegidas por soldados ucranianos.

As tropas ucranianas foram retiradas de Novoazovsk e reposicionadas na estrada que leva a Mariupol - cidade portuária estratégica. A mesma estrada chega à Península da Crimeia, anexada à Rússia após um levante separatista e um referendo em março. Lá estão 25 mil soldados russos e a Frota do Mar Negro.

O reposicionamento de soldados em uma estrada próxima do Mar de Azov, na região da Crimeia, levantou temores de que o Kremlin esteja planejando criar um corredor para ligar o território russo à península.

Apesar da negativa de Moscou, o líder do principal grupo separatista no sudeste ucraniano, Alexander Zakharchenko, afirmou que mais de 4 mil russos, incluindo soldados da ativa "atualmente de licença", têm lutado contra as forças de Kiev. "Há soldados ativos lutando conosco que preferem passar suas férias não na praia, mas com seus irmãos, que estão lutando por sua liberdade", declarou Zakharchenko.

O presidente Barack Obama voltou a responsabilizar a Rússia pela violência na ex-república soviética. Em uma reunião de emergência, o Conselho de Segurança da ONU deixou aberta a possibilidade de aplicar novas sanções contra Moscou (mais informações nesta página).

Ao mesmo tempo, Ucrânia e potências ocidentais aliadas rejeitaram críticas de que táticas ucranianas contra os separatistas têm incluído bombardeios a áreas civis em redutos dos rebeldes. O número de mortos no conflito, segundo a ONU, já passa de 2 mil. / REUTERS, AP e NYT

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