Otan e UE condenam decisão russa de reconhecer separatistas

Aliança diz que Rússia viola resoluções da ONU; Medvedev assinou soberania das províncias pró-Moscou

Agências internacionais,

26 de agosto de 2008 | 14h15

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) rejeitou nesta terça-feira, 26, a decisão da Rússia de reconhecer a Ossétia do Sul e a Abkházia, províncias da Geórgia, como Estados independentes. A aliança afirmou que Moscou violou resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) e não demonstrou comprometimento com a paz na região. Ainda nesta terça, a União Européia (UE) também condenou a decisão russa. A Presidência do Conselho da UE "condena firmemente esta decisão", que "é contra os princípios de independência, soberania e integridade territorial da Geórgia", afirmou um comunicado.    Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia   O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que a medida foi uma "violação direta" de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que haviam sido apoiadas pelo governo russo. Scheffer confirmou o apoio da Otan à soberania e à integridade territorial da Geórgia.   "As ações da Rússia nas últimas semanas levantam a questão sobre o comprometimento russo com a paz e a estabilidade no Cáucaso", disse a Otan em comunicado.   A UE, por sua vez, insistiu em seu objetivo de conseguir "uma solução política" para os conflitos na Geórgia, e disse que examinará a partir desse ponto de vista "as conseqüências da decisão da Rússia." Os chefes de Estado e Governo da União Européia realizarão na próxima segunda-feira uma cúpula extraordinária para analisar as conseqüências do conflito da Geórgia e o futuro de suas relações com a Rússia, que é o principal fornecedor energético da UE.   A Presidência do bloco reiterou nesta terça "com firmeza" seu compromisso com o princípio de integridade territorial da Geórgia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.   Além disso, insistiu em que a integridade, soberania e independência da Geórgia são reconhecidas pela Carta das Nações Unidas, pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU e pela Ata Final da Conferência para a Segurança e a Cooperação na Europa.   Repercussão A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, qualificou a decisão russa como "lamentável". "Como os Estados Unidos são um membro permanente do Conselho de Segurança, isso simplesmente estará terminado ao chegar ao Conselho", afirmou. Para Rice, a medida coloca a Rússia em oposição a uma resolução do Conselho de Segurança, do qual a própria Rússia é parte.   A chanceler alemã, Angela Merkel, também condenou a posição russa como "absolutamente inaceitável". Porém Merkel pediu que os canais de comunicação entre Moscou e a Europa permaneçam em funcionamento. Em Londres, o ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, qualificou a atitude do presidente russo, Dmitri Medvedev, como "injustificável e inaceitável". "Nós apoiamos totalmente a independência e a integridade territorial da Geórgia, o que não pode ser mudado por um decreto de Moscou."  Em Paris, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Eric Chevalier, disse a repórteres que a França considera a decisão "lamentável, e nós reafirmamos nosso compromisso com a integridade territorial da Geórgia". A França mantém a presidência rotativa da União Européia e convocou na segunda-feira um encontro de líderes do bloco para discutir a crise entre a Rússia e a Geórgia. A Itália e a República Checa também respaldaram a Geórgia na crise. Em Viena, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) condenou a atitude de Moscou e pediu a retirada imediata das tropas russas da Geórgia.  

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