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Otan encerra missão militar no Afeganistão

Enquanto Obama declarava que a missão terminava de maneira responsável, Taleban dizia que cerimônia era o símbolo do fracasso

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2014 | 18h21

GENEBRA - Depois de 13 anos e somando cerca de 3,5 mil mortes entre seus soldados, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encerrou oficialmente sua missão militar no Afeganistão em uma cerimônia realizada neste domingo, 28, em Cabul. A partir do dia 1º de janeiro de 2015, a segurança passa ao exército afegão. Mas a transferência de poder também representa a transferência de um conflito não resolvido, apesar dos bilhões de dólares investidos. A violência da insurgência do Taleban aumentou e, sem um governo, o Afeganistão continua a registrar milhares de mortes por ano.



Enquanto o presidente americano Barack Obama declarava que a missão terminava de maneira responsável, os líderes do Taleban preferiam apontar que a cerimônia era o símbolo do fracasso de uma guerra lançada como reação aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA. As forças da Otan chegaram a contar com até 130 mil soldados em 2011. 


Agora, a missão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão (Isaf) deixa oficialmente de ser uma operação de combate e os cerca de 12,5 mil soldados estrangeiros que restarão no país terão a tarefa de assistência às forças de segurança locais, que somarão mais de 350 mil soldados e policiais.


Até o final de 2015, as tropas americanas serão cortadas pela metade. Um ano depois, ficarão apenas soldados para proteger a embaixada em Cabul.


"Juntos conseguimos erguer o povo afegão da escuridão e desespero, e demos a eles esperança no futuro", afirmou o comandante da Isaf, John Campbell. "Tornamos o Afeganistão mais forte, e nossos países, mais seguros."


Na semana passada, Obama usou seu discurso de Natal para marcar o fim da operação. "Em poucos dias a missão de combate no Afeganistão terá terminado, e nossa guerra mais longa terminará de maneira responsável", declarou. 


Mas se o discurso tinha um tom positivo, a própria cerimônia que marcou o fim da operação foi obrigada a ser realizada de forma secreta diante da ameaça de ataques talebans. 


Ataques. Cabul assume a responsabilidade em um momento crítico. Desde meados de 2013, os militares afegãos já estão encarregados da segurança nacional. Mas contavam com a ajuda estrangeira. Agora, enfrentarão praticamente sozinhos o Talibã, que aproveitou do vácuo político no Afeganistão nos últimos meses para multiplicar seus ataques.


"Os 13 anos de missão americana e da Otan foram um fracasso absoluto no Afeganistão. A cerimônia de hoje representa seu fracasso", declarou à AFP Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã.


Dados da ONU confirmam que a violência aumentou no país em 2014 em 19%. Até novembro, 3,1 mil civis morreram no Afeganistão, além de outros 4,6 mil militares locais. 


A construção de uma democracia - prometida pela missão em 2001 - também é um projeto incompleto. Uma eleição presidencial foi organizada neste ano. Mas diante de acusações de fraude, um impasse político impediu a formação de um governo, mesmo três meses depois da votação.  

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