Sergey Ponomarev/AP
Sergey Ponomarev/AP

Otan enviou armas a rebeldes no oeste da Líbia

'Estado' encontra pista de pouso onde aterrissavam os aviões que descarregavam equipamento

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

Uma pista de pouso improvisada em uma das estradas que ligam Trípoli ao sudoeste do país explicam a súbita e fulminante ofensiva dos rebeldes em direção à capital nas duas últimas semanas. Antes encurralados em enclaves do oeste, como Zintan e Nalut, os insurgentes viraram o jogo por terem recebido armas e munições da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O reforço possibilitou a retomada de Zawiya, ponto fundamental para o avanço rebelde. Os rumores de que aviões da Otan não haviam se limitado a bombardear instalações militares e forças terrestres de Kadafi circulam há semanas.

Ontem, o Estado confirmou a informação de duas formas: a primeira, ao constatar, na estrada que liga o posto de fronteira de Dehiba-Wazen a Zintan, as sinalizações no solo e os pontos de iluminação típicos de uma pista de pouso improvisada.

A segunda confirmação foi feita em entrevista com um dos líderes rebeldes na cidade. "Sim, houve voos da Otan para trazer armas, mas não sei dizer exatamente quantos foram", afirmou o rebelde, um dos porta-vozes do movimento no oeste do país.

O insurgente também deixou claro que a operação para fornecimento de armas deveria ser mantida em segredo. "Você não pode perguntar sobre esse tema aqui, porque ninguém pode lhe responder."

Com o fornecimento de armas para Zintan, os rebeldes deram início à virada que resultou na invasão de Trípoli. Antes definhando por causa do cerco de quatro meses marcado por intenso bombardeio pelas forças de Kadafi, os insurgentes se reequiparam e contra-atacaram.

Reforçados pelos efetivos de Nalut, eles concentraram o fogo na cidade rebelde de Zawiya, a 30 quilômetros de Trípoli, que estava sob o controle de Kadafi desde fevereiro, quando havia sido parcialmente destruída por uma ofensiva do Exército.

Na semana passada, Zawiya foi reconquistada pelos rebeldes, assim como Sabrata. Com isso, o trânsito na estrada costeira, que liga a capital à Tunísia passou para o controle dos insurgentes, que cortaram a principal via de suprimentos do regime.

A partir de então, os rebeldes transformaram a cidade em um posto avançado para combater as forças do governo, abrindo um buraco no anel militar que cercava Trípoli e garantia a sobrevida a Kadafi.

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