Otan escolta Taleban para diálogo com Cabul

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está garantindo a segurança dos comandantes de alto escalão do Taleban que participam das negociações diretas com o governo afegão. Segundo reportagem do jornal The New York Times, militares da aliança ocidental estariam ajudando líderes insurgentes a deixar seus santuários nas zonas tribais do Paquistão e seguir até Cabul, onde estão sendo realizadas nas últimas semanas as reuniões secretas com autoridades, com apoio americano.

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE/ NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

Segundo o jornal, chefes de facções do Taleban teriam recebido garantias de que não serão atacados pelas forças da Otan. Um deles teria sido até mesmo transferido da fronteira do Paquistão para a capital afegã em uma aeronave da organização para não correr risco de ser alvo de facções hostis ao diálogo.

A estratégia americana, segundo analistas nos EUA, é a de estabilizar o país por meio de negociações do Taleban com o presidente afegão, Hamid Karzai, que demonstrou interesse inicialmente em conversar com os militantes para pacificar o país antes do início da retirada das forças dos EUA, prevista para começar em julho de 2011.

Na avaliação de autoridades militares dos EUA, algumas facções do Taleban são apenas nacionalistas, sem interesse em lançar um conflito global como a Al-Qaeda, de quem alguns líderes são aliados. Desta forma, apesar do conservadorismo religioso, seria uma vantagem aproximar estes grupos do governo, que tem se mostrado incapaz de exercer liderança sobre o país.

David Petraeus, atual comandante das forças dos EUA no Afeganistão, seguiu receita similar no Iraque em 2006. Além de aumentar o número de soldados, o general fez acordos e pagou insurgentes sunitas para que colaborassem na luta contra a Al-Qaeda. A estratégia começa a enfrentar problemas, com muitos retornando à insurgência, apesar do salário de US$ 300.

Fraude eleitoral

Autoridades eleitorais afegãs cancelaram 1,3 milhão de votos das eleições parlamentares do mês passado por "irregularidades". O número representa quase 25% do total de 5,6 milhões de votos.

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