Otan estipula que Geórgia e Ucrânia serão membros

Os dirigentes da Organização doTratado do Atlântico Norte (Otan) acertaram na quinta-feira queas ex-Repúblicas soviéticas da Ucrânia e da Geórgia ingressarãoum dia na aliança militar apesar da oposição da Rússia. "Concordamos hoje que esses países se tornarão membros daOtan", afirmou o secretário-geral da entidade, Jaap de HoopScheffer, em uma entrevista coletiva, lendo um comunicadoacertado na cúpula que reúne os 26 líderes da Otan na cidade deBucareste. "Isso é algo importante", disse. Os dirigentes da aliança não conseguiram, na quarta-feira,chegar a um acordo sobre oferecer à Ucrânia e à Geórgia o Planode Ação para o Ingresso de Membros (MAP), um portão de entradapara a aliança. Mas, um dia mais tarde, decidiram rever o casoem dezembro, afirmaram diplomatas. A promessa surgiu depois de os líderes da Otan, entre osquais o presidente dos EUA, George W. Bush, terem dito que aRússia, rival dos norte-americanos na época da Guerra Fria elíder da então União Soviética, não deveria pautar as decisõessobre quem é ou não convidado para entrar na aliança militar. A Alemanha e a França lideraram o bloco de oposição sobreos planos de colocar a Ucrânia e a Geórgia no caminho dafiliação, afirmando que nenhum dos dois atingiu ainda oscritérios estipulados pela Otan e que uma decisão do tiposerviria apenas para provocar o presidente eleito da Rússia,Dmitry Medvedev. O apoio da opinião pública à Otan mal chega aos 30 porcento na Ucrânia. E a Geórgia não controla todo o seuterritório devido aos conflitos, hoje congelados, comseparatistas aliados dos russos. Em uma outra decisão sobre as ampliações da entidade, opedido da Macedônia para ser convidada foi barrado pela Gréciaem meio a uma polêmica sobre o nome daquele país. A Macedônia ouviu da aliança militar que um convite seriafeito pelos embaixadores assim que houvesse uma "soluçãomutuamente aceitável" para a questão do nome. Isso significa que a Macedônia, cujo futuro é importantepara a estabilidade dos Bálcãs, pode não ter de esperar até acúpula do próximo ano da aliança para uma decisão sobre seucaso. Mas o governo macedônio não escondeu sua insatisfação. "Essa decisão significa uma grande decepção. Disseram-nosque fizemos tudo o que deveríamos ter feito em termos dereformas e contribuições militares. Estamos sendo punidos porsermos macedônios", afirmou Nikola Dimitrov, porta-voz dogoverno. "Essa decisão prejudica a estabilidade dos Bálcãs. Issoencoraja as forças extremistas", disse. A Grécia objetou ao uso do nome Macedônia porque esse é onome de uma Província do norte grego. FRANÇA Uma nova era deve iniciar-se na aliança depois de opresidente da França, Nicolas Sarkozy, ter requisitado umadecisão em breve sobre a reintegração de seu país às estruturasmilitares da Otan, estruturas essas que abandonou em 1966. "Reafirmo aqui a determinação da França em dar continuidadeao processo de renovação de suas relações com a Otan", afirmouSarkozy diante dos outros dirigentes. A França disse querer fortalecer a integração dos sistemasdefensivos da Europa como condição para reingressar no comandomilitar da Otan, do qual o general Charles de Gaulle retirou opaís mais de quatro décadas atrás em meio a um embate sobre aliderança da entidade.

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