Otan inicia operação militar na Geórgia sob protesto russo

Kremlin expulsa diplomatas que trabalham para a organização e piora relação entre a aliança e Moscou

AFP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2009 | 00h00

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciou ontem na Geórgia uma série de exercícios militares em conjunto com países aliados da organização, o que causou protestos da Rússia, que qualificou as manobras de "provocação". Moscou considera que a Otan está premiando a Geórgia, que entrou em guerra contra os russos, em agosto, para assumir o controle da província separatista da Ossétia do Sul. O Kremlin exigiu o cancelamento das operações, mas conseguiu apenas que alguns aliados não tomassem parte: Armênia, Moldávia, Casaquistão e Sérvia não participaram.O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que o plano da Otan é "míope" e não contribui para o reatamento das relações entre a Rússia e a organização, abaladas desde a guerra na Geórgia. Segundo a Rússia, os exercícios estariam "premiando a máquina de guerra georgiana".No entanto, tanto a Otan como as autoridades georgianas insistiram que os exercícios não passam de simulação de missões humanitárias sob mandato da ONU e de prevenção de ataques terroristas.De acordo com a Otan, as manobras estão planejadas há mais de um ano.O secretário-geral da aliança, Jaap de Hoop Scheffer, contudo, criticou o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, por usar o termo "manobras da Otan". Ele ressaltou que são "exercícios conjuntos de países aliados e seus parceiros". "Ninguém deve interpretar mal os exercícios na Geórgia, que não têm nada a ver nem com a relação entre Otan e Geórgia nem com os vínculos entre Otan e Rússia", disse Scheffer.As operações ocorrem dois dias após uma rebelião militar em uma base georgiana contra Saakashvili, que acusou Moscou de orquestrar um golpe de Estado contra seu governo. A Rússia disse que as acusações são "insanas" e afirma que Saakashvili está tentando desviar as atenções dos protestos internos que exigem sua renúncia.DIPLOMATASA crise entre Otan e Rússia, no entanto, está longe do fim. A organização expulsou dois diplomatas russos na semana passada acusados de espionagem. Em represália, a Rússia expulsou ontem dois diplomatas canadenses que trabalhavam no gabinete da Otan em Moscou. A Otan lamentou a decisão, a qual classificou de "contraproducente".

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