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Otan lança maior ataque à Líbia em 4 meses de guerra

Após mais de 40 bombardeios contra os importantes alvos do regime em Trípoli, Kadafi promete resistir ''até vitória ou a morte''

, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

Bombardeiros da Otan desferiram ontem o mais violento ataque contra forças do regime de Muamar Kadafi em quatro meses de ofensiva na Líbia. Mais de quarenta explosões foram registradas apenas no complexo que serve de sede para o governo, erguendo cortinas de fumaça e pó. Os ataques foram realizados em plena luz do dia.

Em um discurso de dez minutos, cujo áudio foi transmitido pela TV estatal de Trípoli, Kadafi condenou as ações da Otan e da oposição. "Nós não vamos nos render. Temos apenas uma escolha, a de seguir até o fim. Morte, vitória - não importa. Não nos renderemos", gritava Kadafi. Não está claro se a fala do ditador havia sido gravada. Jornalistas da emissora estatal estavam visivelmente surpresos com as declarações de Kadafi. Ao final do discurso, o coronel que governa a Líbia desde 1969 insistiu: "Não nos ajoelharemos."

Mais de 7 mil pessoas - na maioria líbios - cruzaram a fronteira com Tunísia desde segunda-feira, tentando escapar dos bombardeios da Otan e dos combates entre opositores e forças leais ao regime. A informação foi revelada ontem pelo Ministério da Defesa da Tunísia.

Nos últimos dias, autoridades da Otan avisaram que os ataques contra alvos do regime seriam ampliados. A aliança atlântica apoia a rebelião da oposição contra o regime de Kadafi.

Ação ocidental. A crise líbia teve início em março, depois que dissidentes - sob influência da queda das ditaduras da Tunísia e do Egito - expulsaram as forças do regime líbio da cidade de Benghazi, a segunda maior do país. Em seguida, opositores tomaram portos estratégicos da costa leste, além de cidades perto de Trípoli, mas foram obrigados a recuar.

Sob a justificativa de prevenir um massacre - Kadafi prometeu que não haveria "misericórdia" contra os opositores" -, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um ataque à Líbia, que seria primeiro comandado pelos EUA, depois pela Otan.

Após o fim dos bombardeios de ontem, vários soldados leais a Kadafi dispararam seus fuzis para o alto, comemorando a "resistência" do regime. O porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, afirmou que 30 pessoas teriam morrido em cerca de 60 ataques.

Repórteres estrangeiros que estão em Trípoli - trabalhando sob controle rígido do regime de Kadafi - viram apenas um morto. A vítima estava no palácio de Bab al-Aziziya, para onde os jornalistas foram levados por forças do governo. Estima-se que o número de mortos divulgado anteriormente pelo regime seja exagerado.

O cadáver visto pelos jornalistas estava coberto por uma camada densa de poeira, perto de uma coluna do palácio presidencial. O homem foi identificado como Misbah Hussein, que teria 40 anos.

Escudo humano. Diante dos repórteres, o corpo foi cuidadosamente embrulhado em uma bandeira verde do regime líbio e levado. Prédios ao lado do complexo de Kadafi também foram arrasados pela Otan.

Um dos mais destruídos servia de dormitório para autoridades estrangeiras em visita a Trípoli. Em alguns locais da capital, a população acampa em barracas para servir de escudos humanos contra os ataques da Otan. / AP

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