Otan não chega a acordo sobre liderança de operação na Líbia

Discussão será retomada na quinta-feira; há membros da aliança contrários ao comando da aliança

Agência Estado

23 de março de 2011 | 17h20

BRUXELAS - Os 28 países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fracassaram em chegar a um acordo que coloque a aliança no comando das operações militares na Líbia, informou nesta quarta-feira, 23, um diplomata da organização. "Não houve acordo e as discussões continuam", disse o diplomata após uma rodada de negociações entre os 28 embaixadores. A discussão será retomada na quinta-feira.

 

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Os embaixadores discutem se a Otan dever assumir o comando da imposição da zona de exclusão aérea sobre a Líbia. A França insiste que o controle precisa continuar nas mãos da coalizão internacional, enquanto a Otan deveria estar na frente do planejamento e das operações. Na terça, os franceses concordaram com EUA e Reino Unido sobre a participação da aliança na incursão.

 

 

A Itália acusou a França de ser "intransigente" ao não deixar o comando das operações com a Otan e criticou o reconhecimento francês ao Conselho Nacional da Líbia, o governo interino que os insurgentes montaram em Benghazi. "Nós precisamos voltar às regras, com apenas uma cadeia de comando sob a Otan", disse o chanceler italiano Franco Frattini em discurso no Senado da Itália.

 

 

O porta-voz da chancelaria italiana, Maurizio Massari, acrescentou: "Existe alguma resistência entre alguns países da Otan. A França tem sido a mais intransigente. A Europa se dividiu. Isso não é algo antifrancês. Estamos falando sobre uma missão importante na qual a Europa precisa agir unida para ter credibilidade".

 

Massari criticou a decisão francesa tomada no começo de março de reconhecer o Conselho Nacional da Líbia, em Benghazi, como governo legítimo do país. "Acreditamos que é difícil que o Conselho em Benghazi possa ser reconhecido como o governo legítimo da Líbia inteira", disse.

 

A intervenção internacional contra as forças de Kadafi começou no último sábado. A coalizão - formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca, Romênia, Holanda e Espanha -  deu início às ações sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

 

A resolução da ONU prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de "quaisquer medidas necessárias" para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi, que está no poder há 41 anos e enfrenta um revolta há mais de um mês. Desde o início da ação internacional, os insurgentes ganharam força. Eles querem derrubar o ditador.

 

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