Otan planeja ajudar Afeganistão depois da guerra

Operação da aliança atlântica após 2014 prevê força de até 9,5 mil soldados dos EUA e até 6 mil de outros países

TOM SHANKER, BRUXELAS, THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h04

Os ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), reunidos em Bruxelas, afirmaram ter feito progressos nos planos de uma missão de ajuda militar ao Afeganistão depois que suas forças se retirarem do país, o que é previsto para o fim de 2014, com alguns países já se oferecendo para participar.

Foi debatido na reunião um esboço de proposta sobre possíveis operações da Otan no Afeganistão após 2014. Ele prevê uma força composta de até 9,5 mil soldados dos EUA e até 6 mil de outros países-membros. Segundo funcionários da aliança, o número combinado de soldados americanos e de países aliados deve ser menor, entre 8 mil e 12 mil.

Nos comentários oficiais, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a reunião envolveu uma profunda discussão sobre "a preparação de uma nova e diferente missão liderada pela Otan a partir de 2014, para dar treinamento, assessoria e assistência às forças de segurança afegãs".

"Muitos parceiros já se ofereceram para participar do plano e trabalham conosco no planejamento da nova missão", disse.

Autoridades salientaram que o número de soldados ainda não foi definido e uma presença militar permanente da Otan no Afeganistão seria possível somente por meio de negociações com o governo afegão e com as nações financiadoras.

Essa presença militar envolveria o apoio e treinamento do Exército e da polícia afegã, representaria uma missão de combate ao terrorismo de dimensões menores, especificamente visando destacados líderes rivais. Os funcionários disseram que os planos também preveem uma coalizão de tropas para proporcionar "uma vigorosa força de proteção" de seu pessoal.

No entanto, em termos mais amplos, Rasmussen destacou que várias nações da coalizão já prometeram participar da missão após 2014. O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, participando de sua última reunião da Otan antes de deixar o cargo, disse que ele e outros ministros da Defesa discutiram "uma variedade de opções". Ele acrescentou que não há nenhuma empresa ou números definitivos sobre as contribuições dos EUA ou da coalizão, mas que a aliança está firme em seu compromisso com a estabilidade do Afeganistão no longo prazo.

O projeto para o Afeganistão a partir de 2014 prevê a presença de forças estrangeiras operando a partir de um quartel-general em Cabul, mas ligado às bases de treinamento em quatro partes do país. As tropas convencionais, que serviriam de apoio, não estariam presentes em nível de divisão, brigada ou batalhão, mas atuariam como instrutores das forças de segurança afegãs nos quartéis.

A orientação das tropas afegãs ficaria a cargo das forças de Operações Especiais. Os EUA, atualmente, mantêm 66 mil soldados no Afeganistão. A Otan mantém um contingente de 37 mil. O presidente Barack Obama anunciou que 34 mil soldados serão retirados do Afeganistão até fevereiro de 2014.

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