Otan planeja criar novo posto de chefe civil no Afeganistão

Mais cotado para o cargo é embaixador britânico; chefe não teria tanta autoridade quanto comandante militar

Associated Press e Agência Estado,

20 de janeiro de 2010 | 13h57

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) planeja criar um novo posto de chefe civil em Cabul, para trabalhar ao lado do líder militar no Afeganistão, general Stanley McChrystal, revelaram funcionários ligados ao assuntos nesta quarta-feira, 20. O mais cotado para o posto é o embaixador britânico Mark Sedwill, segundo as fontes.

 

O anúncio pode ser feito no dia 28, quando haverá uma conferência internacional sobre o Afeganistão marcada para Londres, disseram as fontes. O novo nomeado seria o chefe do pilar civil do trabalho liderado pela coalizão nos EUA no país, direcionando o fluxo de fundos e auxílio para as províncias e, se necessário, driblando instituições afegãs corruptas. O funcionário também terá um papel importante para tentar convencer insurgentes ligados ao Taleban a trocar de lado e reintegrá-los à sociedade.

 

Funcionários americanos têm pedido um nome civil para auxiliar o trabalho militar de combater a insurgência e supervisionar o desenvolvimento econômico, em parte através da rede existente de equipes de reconstrução das províncias lideradas pelos militares.

 

A nova posição não deverá ter tanta influência como cargos similares de administrador civil na Bósnia-Herzegovina ou em Kosovo, mas o novo funcionário da Otan deve ter muito mais autoridade que o atual alto representante civil da aliança em Cabul, o italiano Fernando Gentilini. Uma fonte da Otan na capital disse que Gentilini já pediu ao secretário-geral da Otan que procure alguém para substituí-lo.

 

As discussões iniciais entre os países-membros da Otan incluíam a possibilidade de dar o emprego ao embaixador americano em Cabul, Karl W. Eikenberry, que se tornaria o principal funcionário dos EUA e da Otan no país ao mesmo tempo. Seria um caso similar ao de McChrystal, principal comandante dos 110 mil soldados dos EUA e da Otan no Afeganistão.

 

Nações europeias e o Canadá - que fornecem mais de um terço das forças estrangeiras no Afeganistão -, porém, se opõem a que um norte-americano lidere esse trabalho também na esfera civil, segundo fontes ligadas às discussões. Entre as propostas em estudo está a de dar o posto a um importante político europeu ou canadense, como por exemplo o ex-ministro da Defesa britânico Des Browne.

 

Não há decisão final sobre o nome, mas uma solução de compromisso, respaldada pelos EUA e com apoio provável de outros aliados, resultaria na nomeação do atual embaixador britânico em Cabul, Mark Sedwill, segundo altos funcionários familiares com as discussões.

 

Um funcionário da embaixada britânica em Cabul não quis comentar o assunto. A Grã-Bretanha é o segundo maior contribuinte com tropas internacionais para o Afeganistão, atrás dos EUA, com 10 mil soldados no país. Sedwill tornou-se embaixador no Afeganistão em abril, é respeitado pelos americanos e aparentemente tem boas relações com o presidente afegão, Hamid Karzai, e outras autoridades locais. Antes de chegar a Cabul, foi vice-embaixador no Paquistão e ocupou outros altos postos no serviço diplomático britânico em Londres.

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