REUTERS/Francois Lenoir
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Otan pode ficar mais tempo no Afeganistão, diz Alemanha

Ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, disse que é preciso analisar a situação em solo para decidir o cronograma de retirada das tropas do país

O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2015 | 12h43

BRUXELAS - Pode ser necessário que tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte  (Otan) permaneçam no Afeganistão por um período mais longo e qualquer decisão deve ser tomada com base na situação em solo, disse nesta quinta-feira, 8, a ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, em uma crítica implícita aos planos de retirada dos Estados Unidos.

Apesar da retomada do controle de Kunduz, cidade estratégica no norte, das mãos de militantes do Taleban, o combate intenso levantou questionamentos sobre se as forças afegãs treinadas pela aliança estariam prontas para agir sozinhas agora que a maioria de tropas de combate estrangeira deixou o país.

"Precisamos ver como vamos avançar e se deveremos ficar mais tempo", disse Ursula ao chegar a Bruxelas para uma reunião de ministros da Defesa dos países integrantes da Otan. "O desenvolvimento (do confronto) em Kunduz mostra que o caminho que percorremos com os afegãos... temos que continuar nele."

O bombardeio dos EUA a um hospital da organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) em Kunduz também acendeu a luz vermelha sobre o futuro da Otan no país, que já recebeu Mai de US$ 100 bilhões em ajuda internacional, mas cuja estabilidade ainda é questionável.

"Vou apelar hoje para que não organizemos a retirada do Afeganistão de acordo com um cronograma rígido, mas que analisemos a situação no país e coordenemos a retirada em conformidade passo a passo", disse a ministra alemã. "Isso significa colocar a responsabilidade nas mãos dos afegãos de uma forma que eles serão realmente capazes de manter seu país estável."

A Alemanha chegou a ter 1,9 mil soldados atuando em Kunduz no auge de suas operações, mas reduziu sua presença na região para apenas 870 militares. 

No encontro desta quinta-feira em Bruxelas, os ministros de Defesa dos países membros da Otan discutirão um cronograma para a missão no país especialmente para depois de 2016, informou uma fonte ligada à organização.

Von der Leyen já alertou em outras ocasiões sobre os problemas que uma retirada acelerada das tropas internacionais poderia causar e se mostrou desconfortável com plano do presidente americano, Barack Obama, de levar seus soldados de volta para casa, deixando apenas 1 mil militares em Cabul já em 2016. / REUTERS

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