Otan prepara acordo para subsidiar tropas afegãs

Aliança deve doar US$ 4 bilhões após 2014 para financiar 230 mil homens das forças de segurança de Cabul

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

Membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acertaram ontem em Bruxelas, na Bélgica, as bases de um acordo para financiar as forças de segurança do Afeganistão após a retirada das tropas da aliança atlântica, em 2014. Segundo o secretário-geral da entidade, Anders Fogh Rasmussen, alguns países do bloco concordaram em contribuir financeiramente com o Exército e a polícia afegãos após o fim da ocupação.

"Fico feliz em anunciar que os países-membros concordaram em dar contribuições financeiras para as forças de segurança afegãs", disse Rasmussen. O fundo está estimado em US$ 4 bilhões por ano e deve pagar a manutenção de 230 mil policiais e militares. Ainda não está claro quanto cada membro da Otan doará e quem participará do rateio. Uma nova conferência do bloco em Chicago, no mês que vem, deve discutir o tema.

O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu aos EUA uma verba anual de US$ 2 bilhões. Em meio a dificuldades para recuperar-se economicamente, Washington quer dividir a conta com os europeus. A Grã-Bretanha antecipou que desembolsará US$ 110 milhões por ano.

"A história mostra que a melhor maneira de derrotar a insurgência é com forças locais e não tropas estrangeiras", disse o secretário de Defesa americano, Leon Panetta. Para a secretária de Estado, Hillary Clinton, os atentados promovidos no domingo pelo Taleban no Afeganistão, em parte repelidos pelas forças de segurança, mostram que o plano dará certo. "A transição pode funcionar", declarou.

Alguns países europeus, no entanto, não se mostraram dispostos a comprometer-se com grandes gastos. "Se você não contribuiu com tropas, deveria contribuir com dinheiro. Nós contribuímos com tropas", disse o chanceler polonês, Radoslaw Sikorski. "Espero que os membros da Otan se comprometam a pagar sua cota justa da conta."

Condenação. Rasmussen aproveitou a reunião para criticar as imagens de soldados americanos que fazem parte da missão da Otan no Afeganistão posando ao lado de corpos de insurgentes mortos. "Eu condeno firmemente essas imagens", disse o secretário-geral. / REUTERS E WASHINGTON POST

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