Michel Euler/AP
Michel Euler/AP

Otan promete manter ataques à Líbia e cúpula libera US$ 15 bi a rebeldes

Anúncios são feitos em Paris durante reunião com 60 países, Nações Unidas e opositores líbios sobre reconstrução do 'pós-Kadafi'; Rússia reconhece Conselho Nacional de Transição legítimo representante de Trípoli, enquanto China, Índia e Brasil aguardam

Lúcia Müzell, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO/ PARIS

A ofensiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai continuar "pelo tempo que for necessário" com o objetivo de "garantir a proteção de civis" no território líbio, decidiu ontem, em Paris, o chamado "grupo de países amigos da Líbia". Na cúpula - organizada por potências ocidentais, mas com participação de 60 países -, foi anunciada ainda a liberação de US$ 15 bilhões aos rebeldes já nos próximos dias.

Formalmente convocada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, a reunião contou com a presença dos dois principais líderes da oposição líbia, Mustafa Abdel Jalil e Mahmoud Jibril, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Cameron defendeu a continuidade dos bombardeios. "Que fique claro: foi o povo líbio que liberou seu país. Mas o combate ainda não acabou. A Otan continuará as operações enquanto for necessário, para proteger a vida dos cidadãos líbios", disse.

Os US$ 15 bilhões liberados ontem são parte dos cerca de US$ 50 bilhões da fortuna do ditador Muamar Kadafi congelados no exterior. O dinheiro está congelado desde fevereiro, por ordem do Conselho de Segurança da ONU.

"O dinheiro desviado por Kadafi e sua família deve voltar aos líbios. Nós buscamos desbloquear o dinheiro de ontem da Líbia para financiar o desenvolvimento da Líbia de hoje", afirmou Sarkozy.

A ONU discute o envio de uma missão humanitária "o mais breve possível" para auxiliar no restabelecimento dos serviços e do fornecimento de bens de primeira necessidade, como água.

Emergentes. Em meio à reunião, o governo russo anunciou que passava a reconhecer o Conselho Nacional de Transição (CNT) como legítimo representante do povo líbio. A atitude ainda não foi tomada pelos demais Brics, China, Índia e Brasil.

Enquanto a imensa maioria dos países enviou chefes de Estado e de governo ou ministros, o governo brasileiro foi representado na cúpula por seu embaixador no Egito, Cesário Melantônio Neto (mais informações na página A12). Sarkozy saudou "a presença de russos, chineses, indianos e brasileiros" na reunião e disse que convenceria o presidente sul-africano, Jacob Zuma - que boicotou o encontro -, a comparecer às próximas discussões. O líder francês, porém, reconheceu que há divergências sobre o status do Conselho Nacional de Transição e a ofensiva da Otan.

Ontem, a conferência internacional foi precedida por um encontro privado entre Sarkozy, Cameron, a secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton, e os dois líderes rebeldes. Hillary exortou os insurgentes a combater o extremismo islâmico na Líbia e a proteger os depósitos de armas, para que não parem nas mãos de grupos radicais.

DECISÕES

Ofensiva da Otan

Ataque das forças ocidentais continuará, com o objetivo de "proteger civis", garantiu o primeiro-ministro da Grã-Bretanha

US$ 15 bi descongelados

Dinheiro, que representa uma parte dos US$ 50 bilhões de Kadafi congelados em bancos fora da Líbia, será entregue aos rebeldes nos próximos dias

Rússia reconhece CNT

Uma das vozes mais críticas à ofensiva da Otan, o representante russo na cúpula de Paris anunciou ontem que passava a considerar o conselho rebelde como legítimo representante da Líbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.