Elena Ignatyeva/AP
Elena Ignatyeva/AP

Otan repreende Rússia por usar Jogos para expandir fronteira sobre Geórgia

Sob a alegação de precisar manter a segurança em Sochi, forças de defesa e segurança de Moscou invadem a Abkházia, região que luta para separar-se dos georgianos

O Estado de S. Paulo,

05 de fevereiro de 2014 | 22h50

BRUXELAS - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) criticou na quarta-feira, 5, a Rússia por expandir sua fronteira na região da Abkházia, que busca sua separação da Geórgia, algo que Moscou descreveu como medida temporária para ampliar a zona de segurança para a Olimpíada de Inverno de Sochi.

"Percebemos a decisão recente de estender temporariamente a chamada zona fronteiriça da Abkházia, entrando ainda mais no território da Geórgia, sem o consentimento do governo deste país", disse Anders Fogh Rasmussen, comandante da Otan. "Essa decisão nos preocupa muito", declarou Rasmussen, em Bruxelas, após conversar com o primeiro-ministro da Geórgia, Irakli Garibashvili.

Moscou reconheceu a Abkházia e outra província georgiana separatista, a Ossétia do Sul, como Estados independentes após uma breve guerra entre Rússia e Geórgia, em 2008 - coincidentemente, deflagrada no momento da abertura de outro evento do Comitê Olímpico Internacional, a Olimpíada de Pequim.

No mês passado, a Geórgia condenou a Rússia por deslocar em 11 quilômetros sua fronteira com o país, entrando no território da Abkházia. Moscou diz se tratar de um recurso temporário. Sochi está próxima da fronteira da Abkházia.

As forças russas em Sochi entraram em alerta de combate e aumentaram as restrições de acesso ao balneário às margens do Mar Negro após dois atentados suicidas na cidade de Volgogrado, no sul do país, nos quais 34 pessoas morreram.

A Geórgia não tem relações diplomáticas com a Rússia desde a guerra de 2008 e não vai enviar uma delegação oficial à Olimpíada de Sochi, embora permita que seus atletas participem do evento.

Rasmussen disse que a Otan mantém seu "firme compromisso com a soberania e integridade territorial da Geórgia dentro das fronteiras do país reconhecidas internacionalmente".

Ele também criticou a Rússia por construir uma cerca de arame farpado em torno da Ossétia do Sul. "A construção de cercas e outros obstáculos é inaceitável, contrariando o direito internacional e os compromissos firmados pela própria Rússia. Isso impede a liberdade de movimento e prejudica o sustento da população. Esperamos que a cerca seja removida", disse. "No século 21 queremos construir pontes, não cercas."

Ainda em 2008, a Otan prometeu que a Geórgia seria incorporada à aliança, mas esse processo não avançou desde o confronto com a Rússia.

O comandante da Otan disse também que se mantinha fiel ao compromisso firmado naquele ano com a Geórgia, mas afirmou que nenhuma decisão tinha sido tomada em relação à aproximação de Tbilisi com a aliança ocidental para a próxima reunião da organização, marcada para setembro no País de Gales.

As relações entre Rússia e Otan estão desgastadas desde o anúncio dos planos para a instalação de um escudo antimísseis que protegeria a Europa Ocidental de um ataque por parte do Irã ou da Coreia do Norte. Moscou teme que o sistema de interceptação seja capaz de derrubar seus mísseis nucleares de longo alcance.

Na semana passada, funcionários do governo americano disseram que Washington estava avaliando se o teste feito pela Rússia de um novo míssil disparado a partir do chão violava ou não um importante acordo de restrição de armamento. / REUTERS

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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