Otan se oferece para enviar mais tropas ao Afeganistão

Para o secretário-geral, 'não faz sentido falar de crise' por conta de divergência sobre militares no país

Efe,

24 de outubro de 2007 | 14h31

Nove países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entre eles a França, propuseram nesta quarta-feira, 24, aumentar sua presença no Afeganistão para que "buracos" no efetivo da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) sejam "tapados" e os contingentes de Holanda e Canadá possam ser reforçados na conflituosa região sul do território asiático. "Ouvi ofertas dos países, inclusive para o sul do Afeganistão", afirmou o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, após um debate entre os ministros da Defesa dos países que compõem o órgão, e que tinha como propósito intensificar as operações em solo afegão. A Isaf, que atua sob mandato da ONU, tem cerca de 41 mil oficiais de 38 países, mas sua capacidade está coberta em apenas 90%, segundo De Hoop Scheffer. As ofertas serão discutidas de forma mais detalhada em reunião a ser realizada no início de novembro na sede do quartel-general Supremo para as Forças Aliadas da Otan na Europa (Shape, na sigla em inglês), em Mons (Bélgica). Na reunião desta quarta, nove países manifestaram intenção de aumentar sua contribuição militar à Otan em 2008, e quatro deles declararam concretamente que se referiam ao sul do Afeganistão, completou uma fonte diplomática da organização. Embora os números avaliados sejam "baixos", são "politicamente significativos", acrescentou a mesma fonte. Entre esses nove países destaca-se a França, que enviará uma pequena unidade de formação militar para o sul afegão. Alemanha, Polônia, Eslováquia e República Tcheca também estariam entre os Estados que ofereceram ajuda para essa região. O secretário de Defesa americano, Robert Gates, cobrou hoje mais esforços da Otan no Afeganistão, segundo relatou a fonte diplomática. Gates também expressou aos demais ministros presentes sua insatisfação pelo ritmo de acumulação de "buracos" no dispositivo da Isaf, embora tenha adotado um tom mais otimista ao término da reunião, com as ofertas de apoio recebidas. As carências da Isaf são atribuídas sobretudo a helicópteros e aviões de transporte, e também a pequenas unidades de formação e treinamento para o Exército afegão. O secretário-geral da Otan, por sua vez, destacou a formação de oficiais como um elemento-chave, a fim de passar o mais rápido possível para a chamada "fase três" das operações, na qual unidades afegãs devem assumir protagonismo nos combates, enquanto as da Otan se dedicariam apenas a trabalhos de apoio. A reunião informal de dois dias da Otan ocorre em meio a um intenso debate político na Holanda sobre a renovação da presença de seus 1.700 soldados na conflituosa província de Uruzgan, no sul afegão. O governo holandês deve tomar uma decisão a respeito em poucas semanas. O ministro da Defesa do país europeu, Eimert van Middelkoop, lembrou, em entrevista coletiva posterior à reunião, que os resultados do encontro da Otan serão um elemento-chave para a decisão de seu Governo de prolongar sua presença no Afeganistão. "Estamos analisando todas as opções possíveis", advertiu, embora tenha admitido que havia um clima positivo e tenha apostado que em Noordwijk "haverá progressos" para uma decisão propícia por parte de seu Gabinete. O ministro holandês ressaltou que a situação no sul do Afeganistão, onde a Holanda já registrou a baixa de 11 soldados, "continua sendo frágil e volátil". Outro país presente nessa região é o Canadá, que perdeu 70 oficiais em operações e que inicialmente manterá seus 1.700 militares no Afeganistão até 2009, embora já tenha antecipado que gostaria de transferir suas tropas para uma área mais tranqüila. Ministros dos países que compõem a Otan participaram ainda de outra reunião com representantes de 11 territórios não filiados ao órgão e que fornecem tropas à Isaf, para estudar como acelerar a formação da Polícia afegã e o processo de reconstrução do país asiático. Matéria ampliada às 18h45

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