Otan suspende relação com a Rússia

Aliança condiciona normalização à saída das tropas russas da Geórgia

AP, AFP, EFE e Reuters, Bruxelas, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) congelou ontem as relações com o governo da Rússia até que todo o efetivo militar russo na Geórgia seja retirado da região de conflito. A resolução foi emitida no mesmo dia em que o Kremlin anunciou que retiraria todos seus soldados da Geórgia até sexta-feira. "A ação militar da Rússia foi desproporcional e contrária a seu papel de manutenção de paz, assim como incompatível com os princípios da resolução pacífica de conflitos", afirmaram em nota os chanceleres da aliança atlântica após reunião extraordinária em Bruxelas, na Bélgica. A Otan também afirmou que aumentará seus contatos com a Geórgia, mas não especificou se acelerará a entrada do país na organização.A decisão da Otan provocou uma dura condenação de Moscou, que acusou a aliança de apoiar um "regime criminoso" em Tbilisi. De acordo com o chanceler russo, Serguei Lavrov, a Otan "está tentando fazer do agressor uma vítima e absolver de culpa um regime criminoso e em colapso". Ele também afirmou que a Rússia não está ocupando a Geórgia e nem tem interesse em anexar as províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkázia. O conflito começou no dia 7, quando a Geórgia lançou uma ofensiva militar para recuperar a Ossétia do Sul e foi intensificado no dia seguinte, quando a Rússia enviou suas tropas à Geórgia para defender a província separatista.O embaixador da Rússia na Otan, Dmitri Rogozin, acusou a aliança militar de "seguir ancorada na Guerra Fria" e anunciou que Moscou também pretende revisar sua cooperação com a Otan. "Não podemos mais cooperar com uma organização que trabalha com criminosos", afirmou.Segundo o governo russo, o presidente Dmitri Medvedev garantiu, em conversa telefônica, ao líder francês, Nicolas Sarkozy, que as forças de segurança russas seriam realocadas para uma zona de segurança temporária até sexta-feira. Medvedev afirmou que o contingente restante seria retirado e levado para a Ossétia do Sul e também para a Rússia.Se o Kremlin não cumprir sua promessa, a União Européia também poderá tomar medidas contra Moscou, segundo advertiram ontem o chanceler francês, Bernard Kouchner, e o chefe de política externa do bloco, Javier Solana. Ontem, o Conselho de Segurança da ONU também se reuniu para discutir uma resolução redigida pelo governo francês sobre a crise na região. Mas a Rússia rejeitou o novo projeto, alegando que ele não menciona os pontos do acordo assinado na semana passada entre Moscou e Tbilisi.Soldados russos prenderam e vendaram ontem cerca de 20 policiais e militares georgianos na cidade portuária de Poti, no oeste da Geórgia, em uma mostra da contínua atividade militar russa no país, apesar da promessa de retirada. O prefeito de Poti, Vano Taginadze, afirmou que os militares foram detidos, pois não deixaram os veículos blindados dos russos entrarem no porto da cidade. O prefeito disse que recebeu informações de que os policiais seriam libertados hoje.

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