Otan teme que Taleban volte ao poder com saída prematura do Afeganistão

Chefe da aliança quer garantias que transição prometida para 2014 tenha condições para ser feita

Efe

21 de julho de 2010 | 08h43

ISLAMABAD - O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, alertou nesta quarta-feira, 21, para os riscos de que o Taleban poderia tomar o controle no Afeganistão caso as forças internacionais deixem o país antes da hora.

 

Veja também:

Soldados britânicos podem começar a deixar o país em 2011

 

"Não podemos deixar o Afeganistão prematuramente, antes do fim de nosso trabalho. Os taleban retornariam facilmente. O Afeganistão poderia servir novamente de plataforma para ataques terroristas", disse Rasmussen em entrevista coletiva junto ao ministro paquistanês de Assuntos Exteriores, Shah Mehmood Qureshi.

 

O secretário-geral da Otan ainda disse que o objetivo é fazer com que as forças de segurança afegãs assumam a responsabilidade pelas operações militares no país em 2014, conforme prometeu o presidente Hamid Karzai na terça, mas ressaltou que a transição dependerá mais das condições do Afeganistão do que de um calendário.

 

"Temos que ter a garantia de que vamos ter as condições requeridas para a transição. Estaremos comprometidos até que tenhamos certeza que há estabilidade. Não deixaremos um vazio. O compromisso da Otan com o Afeganistão é a longo prazo", disse Rasmussen.

 

Além disso, o chefe da aliança apoiou o processo de reconciliação com insurgentes moderados, desde que estes estejam dispostos a abandonar a violência e a respeitar a Constituição e democracia afegãs.

 

Para Rasmunssen, o Paquistão pode desempenhar um papel importante nesta estratégia, promovida pelo presidente Karzai. Qureshi afirmou que Islamabad não está buscando um papel no processo, mas disse que é o próprio governo do Afeganistão quem deve decidir como o Paquistão pode ajudar.

 

O secretário-geral da Otan visitou o Paquistão nesta quarta-feira, após participar, terça, junto a Qureshi, da Conferência de Cabul. No encontro, delegados de cerca de 70 países e organismos internacionais decidiram dar mais controle ao governo afegão na gestão dos fundos da comunidade internacional destinados ao país e apoiaram seu plano de paz e reconciliação com os grupos insurgentes.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoOtanRasmussenTaleban

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.