Francois Lenoir/Reuters
Francois Lenoir/Reuters

Otan vai reforçar força no leste europeu em ação 'defensiva'

Secretário-geral da organização afirma que mobilização de 5 mil soldados é reação ao comportamento russo na crise ucraniana

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2015 | 10h25


BRUXELAS - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai reforçar sua Força de Reação no leste da Europa em uma ação meramente defensiva, uma resposta ao comportamento da Rússia na crise ucraniana e ao desafio representado pelo extremismo islâmico, disse nesta quinta-feira, 5, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg. Segundo ele, a medida está de acordo com as "obrigações internacionais" da organização.

"Nossas decisões deixam claro que a Otan está determinada a defender todos os aliados contra qualquer ameaça, vinda de qualquer direção", declarou Stoltenberg. Perguntado se a mais recentes decisão da aliança liderada pelos Estados Unidos pode fomentar uma intensificação de um conflito com o Kremlin, parecido com a Guerra Fria, a principal autoridade civil da Otan disse que as medidas são puramente defensivas e estão sendo adotadas apenas por causa das ações russas.

"Na Ucrânia, a violência está piorando e a crise se aprofundando", disse Stoltenberg. "A Rússia continua a desrespeitar as regras internacionais e a apoiar os separatistas com armas avançadas, treinamento e forças".

Os ministros discutirão a preparação de uma nova força que poderá ser desdobrada em questão de dias nas fronteiras do leste e sul da Otan, além do estabelecimento de seis unidades de comando e controle em seis Estados-membros no leste da Europa.

Segundo o secretário-geral, o "aumento da presença militar no leste da Aliança", de modo que suas forças estejam "mais disponíveis" e possam "ser desdobradas em questão de dias", tem como objetivo garantir um dos princípios fundamentais da Otan: a defesa coletiva de seus membros.

Stoltenberg explicou que a nova força de alta disposição da Otan, conhecida como "ponta de lança", permitirá o desdobramento em dias de cinco mil soldados para fazer frente a qualquer ameaça, vinda do leste (Rússia) ou do sul (Oriente Médio ou África).

Além disso, as unidades de comando e controle, que não teriam mais de 40 militares e manteriam no terreno material necessário para facilitar o desdobramento de mais tropas, serão instaladas na Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia e Bulgária.

"As unidades também servirão para coordenar exercícios internacionais além de servir como vínculo entre a defesa nacional e as forças multinacionais da Otan", explicou Stoltenberg.

O secretário-geral disse que esse é "um momento muito crítico para a segurança da Europa e de todo o mundo". "Na Ucrânia a violência está piorando e a crise está se aprofundando. A Rússia segue fazendo caso omisso para as normas internacionais e apoiando os separatistas com armamento avançado, treinamento e soldados", acusou.

Enquanto isso, no norte da África "o extremismo violento está se estendendo e em nossos próprios países houve atos terroristas", completou.

A Rússia expressou preocupação com o aumento das forças militares da Otan no leste europeu, enquanto defende uma forte presença militar em sua fronteira com a Ucrânia. /AP e EFE

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