Otimismo reina em Trípoli

Dificuldades dos tempos de guerra, como escassez de água e alimentos, não tiram dos moradores da capital forte sentimento de alívio

Patrick J. Mcdonnell, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

LOS ANGELES TIMES

O lixo se acumula nas ruas, as prateleiras dos supermercados estão quase vazias, a água corrente é escassa e grandes batalhas ainda ocorrem. Mas na Líbia prevalece um sentimento de otimismo e de novas possibilidades na combalida Trípoli, quase duas semanas depois da sua libertação do longo governo de Muamar Kadafi.

"Agora temos a chance de fazer alguma coisa certa", disse Shaban Fituri, engenheiro que comprava peixe perto do porto.

Apesar das dificuldades, o clima é de euforia, uma sensação de que não pode ser verdade. A libertação de Tripoli tirou um peso, físico e psicológico, das pessoas. Elas parecem confiantes de que as longas filas nos postos de gasolina desaparecerão, a água potável voltará, o lixo será recolhido e a guerra terminará. A vida está muito longe da normalidade por aqui, mas a expectativa de um futuro mais auspicioso é contagiante.

Indagados nas últimas semanas sobre que tipo de país desejam, os líbios respondem com uma visão volátil moldada pela era Kadafi. Muitos, definitivamente, não querem mais: a falta de livre expressão, a polícia secreta por todos os lados, a política externa "revolucionária" e a educação politizada.

A descoberta das vilas luxuosas e os privilégios de Kadafi, sua família e membros do alto escalão, foram uma revelação. O ditador costumava retratar sua vida como a de um beduíno simples, numa tenda, um homem do povo que destituiu o rei em nome de todos os líbios. Muitos agora riem dessa ficção a que foram forçados a acreditar.

Há também um sentimento de incerteza. A Líbia não tem nenhum governo funcionando. São muitos os rumores de divisões entre rebeldes. Kadafi ainda está por perto e diversos dos seus feudos, incluindo sua cidade natal, Sirte, continuem leais a ele. Alguns se preocupam com as tendências islâmicas na nova Líbia. Mas, no momento, isso ainda têm pouca ressonância. / TEREZINHA MARTINO

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