Enrique Marcarian/REUTERS
Enrique Marcarian/REUTERS

Otimismo se amplia com fim da era Cristina

Paradoxalmente, perspectiva mais favorável deve acabar beneficiando candidato governista

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

21 Outubro 2015 | 05h00

BUENOS AIRES  - Em dois meses, o número de argentinos otimistas sobre o futuro da economia cresceu 47%. A animação dos consumidores tem relação, segundo parte dos economistas, com o fim do mandato de Cristina Kirchner e inevitáveis mudanças. Paradoxalmente, a sensação de estabilidade tende a ajudar seu candidato, Daniel Scioli. 

Em agosto, o porcentual de argentinos que apostava que as contas do país estariam melhores ou muito melhores nos próximos meses era de 23,4%, segundo a consultoria M&F. No levantamento encerrado na semana passada, esse porcentual saltou para 34,4%. “Há uma sensação de estabilidade e de melhora nos próximos meses. Apesar de os indicadores macroeconômicos serem ruins”, avalia Mariel Fornoni, diretora da M&F. 

O diagnóstico de parte dos economistas é que o clima de fim de mandato criou a expectativa de que qualquer dos três candidatos que ganhe melhorará o cenário. Para evitar o caos que era previsto pela maioria dos especialistas para o fim da era kirchnerista, o governo impulsionou a atividade industrial e acumulou o máximo de reservas internacionais em negociações com a China. 

“A situação é diferente da de 2001. O país tem problemas com soluções possíveis. Quem assumir precisará fortalecer o setor fiscal, mantendo gastos essenciais e melhorar gasto público. Isso reduzirá a demanda do Tesouro sobre o Banco Central”, disse ao Estado Aldo Ferrer, professor da Universidade de Buenos Aires e ex-ministro da Economia. Alinhado ao kirchnerismo, ele afirma que a fixação argentina por dólares é parcialmente cultural. “Cada vez que percebe as reservas em baixa, o cidadão é estimulado a transformar sua poupança de pesos em dólares. Isso é um problema”, opina. As reservas do Banco Central estão em US$ 27,6 bilhões, nível de 2006.

Scioli prometeu atrair investimentos na faixa de US$ 30 bilhões por ano, sem dizer como. Para conseguir capital estrangeiro, especialistas consideram essencial um acerto com os chamados fundos abutres, credores que não aceitaram a renegociação da dívida argentina e cobram o valor integral. “Será preciso sentar e negociar. Isso não quer dizer entregar tudo como eles querem”, diz o sociólogo Ricardo Rouvier. A disposição para negociar com esses credores, manifestada por sciolistas na semana passada, abriu crise com o kirchnerismo mais duro. 

Ontem de manhã, Scioli admitiu em um programa de TV que anunciou praticamente todo seu gabinete, para mostrar autonomia. No mesmo programa, brincou com a tala que passou a usar na mão esquerda depois e uma fratura jogando futsal. “Mais vantagem (aos adversários) não posso dar: um braço e meio”, afirmou. Ex-piloto de lancha, Scioli perdeu o braço direito em um acidente em 1989. 

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