Otto Reich será substituído como subsecretário dos EUA para a AL

O presidente George W. Bush desistiu de seu empenho em levar adiante a qualquer preço a nomeação do funcionário de origem cubana Otto Reich como subsecretário de Estado para a América Latina e indicou para essa função, interinamente, Curt Struble, um firme defensor da ajuda à Colômbia. A decisão, anunciada na segunda-feira pelo Departamento de Estado, baseia-se aparentemente no fato de que Bush deseja evitar a continuidade do confronto com um bloco de senadores democratas que se recusaram a convocar uma audiência para confirmar Reich por sua posição de extrema direita a respeito de Cuba. Reich não será mais proposto por Bush, apesar de que o Partido Republicano, do governo, terá maioria no novo Congresso que se instalará em janeiro. Ele havia sido proposto no ano passado e, como não foi confirmado, Bush o nomeou por decreto - uma prerrogativa que expira pontualmente no prazo de um ano. Richard Boucher, porta-voz do Departamento de EStado, disse que Reich continuará sendo parte da equipe de assessores do secretário Colin Powell em temas de política latino-americana e terá "importantes responsabilidades na formulação de políticas regionais". Curt Struble, um diplomata de carreira que era o segundo no escritório de Reich, asumirá como interino. Struble sempre defendeu no Congresso a ajuda para o governo de Bogotá para a administração de justiça, proteção dos direitos humanos, desenvolvimento econômico e social e a luta contra o narcotráfico e o terrorismo. A chamada "nomeação de recesso" feita por Bush para colocar Reich na função de subsecretário vence quando o Congresso se declarar novamente em recesso em dezembro próximo. O recesso começou efetivamente na sexta-feira passada, deixando Reich no limbo político. Sua confirmação pelo Senado foi colocada em dúvida na semana passada, quando o senador democrata Christopher Dodd disse que continuava a se opor, apelando para isto a recursos do próprio Senado para retardar o avanço de uma nomeação. Dodd é atualmente o presidente do subcomitê de Relações Exteriores para o hemisfério ocidental - cargo que a partir de janeiro passará às mãos do republicano Lincoln Chafee, cujo partido voltou a ter maioria nas duas Casas do Congresso nas eleições de três semanas atrás. O anúncio de que Bush estava abandonando a idéia de colocar Reich como subsecretário foi surpreendente. Ainda na semana passada, Robert Zimmerman, porta-voz de Reich, havia dito que este ainda merecia "a confiança total do presidente e do secretário de Estado". Embora em caráter precário, Reich exerceu o cargo em momentos difíceis para a América LAtina. Durante sua gestão de 12 meses, a Argentina entrou na pior crise econômica de sua história; houve um golpe de Estado na Venezuela; o Brasil elegeu para presidente um candidato esquerdista que se opõe às grandes linhas da política americana e o Equador acaba de eleger outro candidato esquerdista. Bush foi criticado pela reação de seu governo perante a destituição do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em abril. Sua posição de avanço e retrocesso em apoiar ou não os acontecimentos foi diretamente atribuída às deficiências de Reich para estabelecer uma política coerente em relação a um sócio comercial energético importante como a Venezuela.

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