Ouattara promete levar ex-líder marfinense à corte internacional

Gbagbo, deposto na segunda-feira, deve ser indiciado no país e em tribunais estrangeiros, diz presidente

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, disse ontem que seu antecessor, Laurent Gbagbo, será processado criminalmente no país e em cortes internacionais. Gbagbo, que se rendeu na segunda-feira após um impasse de cinco meses, foi removido do Hotel Golf, onde estava preso, para um local não divulgado no interior do país. Segundo Ouattara, seus direitos serão respeitados e sua segurança está sendo feita por tropas da ONU.

"As acusações serão formuladas pelo Ministério da Justiça. Haverá processos contra ele (Gbagbo) em nível nacional e internacional", disse o presidente. "A reconciliação nacional não pode ocorrer sem justiça."

Ouattara prometeu aos marfinenses o fim dos saques e da violência e pediu que partidários dele e de Gbagbo, que ainda travam pequenos confrontos, deponham as armas. Segundo o presidente, um novo Exército será formado. "Precisamos tornar o país e, principalmente, Abidjã mais seguros", afirmou. "Farei tudo para que todos os marfinenses vivam em segurança. É importante sairmos bem dessa crise", acrescentou.

Crise alimentar. A ONU recorreu ao Brasil para solucionar a falta de alimentos na Costa do Marfim. No total, 225 mil pessoas precisarão de auxílio da entidade nos próximos seis meses.

O diretor do escritório do Programa Mundial de Alimentos da ONU em Abidjã, Alain Cordeil, disse ao Estado que foi até a embaixada brasileira na cidade africana em busca de uma contribuição do País. "A situação é grave, e em Abidjã é dramática", disse. Com a crise de refugiados no norte da África e a alta dos preços de alimentos, as doações ficaram limitadas. A ONU estima que a Costa do Marfim precise de US$ 28 milhões, mas apenas recebeu metade desse dinheiro.

Outro problema enfrentado pela ONU é logístico. A entidade não consegue encontrar locais onde comprar o volume de alimentos necessário. A aposta de Cordeil é usar o Brasil para suprir essa falta de abastecimento. No ano passado, o governo brasileiro assinou uma medida provisória autorizando a doação de 260 mil toneladas de comida.

"O problema é que a Costa do Marfim não está na lista dos 12 países que foram selecionados para receber a ajuda do Brasil", disse o diretor do escritório. "O governo nos prometeu que avaliará a situação." O Banco Mundial e a União Europeia (UE) também prometeram auxílio financeiro ao país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.