Thierry Gouegnon/Reuters
Thierry Gouegnon/Reuters

Ouattara solicita operação militar na Costa do Marfim para derrubar Gbagbo

Considerado presidente eleito pela ONU, opositor diz que em breve chegará ao poder

Associated Press

06 de janeiro de 2011 | 13h07

ABIDJÃ - Alassane Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como presidente eleito da Costa do Marfim, disse nesta quinta-feira, 6, que forças especiais do Oeste Africano devem remover do poder o atual presidente do país com uma energética operação militar de grande escala.

 

Ouattara, disse à Associated Press que Laurent Gbagbo "está, essencialmente, em sua residência ou no palácio presidencial" e que sua localização pode ser identificada rapidamente. Ele ainda afirmou que quer as forças de elite realizando a operação.

 

Em entrevista à rádio Europe 1, falando do hotel onde vive cercado por tropas de Gbagbo, em Abidjã, Ouattara disse que e breve a crise estará solucionada e que logo ocupará a presidência marfinense.

 

"Confio que em breve vamos ter todo o poder. Posso dizer que será durante o mês de janeiro", acrescentou, dizendo ainda que "já é hora de colocar um fim nessa situação. Laurent Gbagbo tem de deixar o poder".

 

Ouattara ainda acusou Gbagbo de recrutar mercenários da Libéria para lançar uma campanha de assassinatos e estupros contra seus partidários. "Laurent Gbagbo tem sangue em suas mãos", afirmou.

 

"Muitos marfinenses foram mortos por mercenários e pela milícia de Laurent Gbagbo. Nós já tivemos mais de 200 mortes, temos estupros e pessoas feridas - mais de mil pessoas feridas". Ouattara afirmou ter provas dos crimes. "E a ONU (Organização das Nações Unidas) e todas as organizações pelos direitos humanos notaram os massacres, assassinatos e os atribuíram a mercenários e milícias recrutados por Laurent Gbagbo", afirmou Ouattara.

 

Especialistas da ONU disseram temer as informações sobre violência generalizada após as eleições na Costa do Marfim e notam risco de haver crimes contra a humanidade. Ouattara afirmou que já escreveu para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para que este peça ao Tribunal Penal Internacional (TPI) o envio de uma missão investigativa. Segundo ele, houve a informação de que isso seria feito nos próximos dias.

 

O bloco regional de Estados Africanos do Oeste, ECOWAS em inglês, ameaçou levar a cabo uma ação militar, mas nos últimos dias os líderes africanos tem se esquivado de assumir um compromisso com uma invasão armada. Eles temem mortes em massa e um possível retorno à guerra civil.

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