Outra dissidência do IRA assume ataque a policial

O IRA de Continuidade, grupo dissidente do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês), reivindicou ontem a autoria de uma emboscada que matou um policial na noite de segunda-feira na cidade de Craigavon, a sudoeste de Belfast. O ataque foi o segundo cometido por uma facção do IRA em 48 horas e levantou temores de que, após anos de relativa calma na Irlanda do Norte, uma nova onda de violência possa ressurgir.Em uma mensagem codificada, enviada para a agência de notícias Press Association, o grupo ameaçou continuar lançando ataques contra policiais "enquanto houver envolvimento britânico na Irlanda". A polícia prendeu ontem dois homens - um de 17 anos e outro de 37 - suspeitos de ter ligação com o assassinato do policial.Em uma demonstração de união sem precedentes, políticos norte-irlandeses e britânicos repudiaram o ataque e pediram para a população entrar em contato com a polícia se tiver informações sobre os dissidentes. O vice-premiê Martin McGuinness, um dos ex-comandantes do IRA, qualificou as facções de "traidoras" e pediu a seus partidários que quebrem o tradicional código de silêncio e colaborem com as investigações.O premiê britânico, Gordon Brown, condenou o atentado e assegurou que a violência não conseguirá abalar o governo de união entre católicos e protestantes formado em 2007. "Não haverá um retorno aos velhos tempos", disse Brown, referindo-se às três décadas de violência política que resultaram em mais de 3,5 mil mortes. "(Os dissidentes) são assassinos que estão tentando chantagear, atrapalhar e destruir o processo político em andamento na Irlanda do Norte."DIVISÃOO ataque de segunda-feira ocorreu dois dias após outra facção do IRA, o IRA Autêntico, ter assumido a responsabilidade por um atentado contra uma base militar da Grã-Bretanha no Condado de Antrim, matando dois militares britânicos e deixando outros quatro feridos.Tanto o IRA de Continuidade quanto o Autêntico são dissidências do IRA hostis ao acordo de paz assinado em 1998 entre a organização, que buscava a união da Irlanda com o apoio da comunidade católica, e grupos protestantes britânicos. Apesar do acordo de paz, o IRA só abandonou a luta armada em 2005.

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