Outro bilionário russo foge para a Grã-Bretanha

Ex-presidente da petrolífera RussNeft era procurado por sonegação fiscal

Guardian, Afp e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2001 | 00h00

As relações bilaterais entre Rússia e Grã-Bretanha voltaram a entrar num período turbulento depois que o jornal britânico Guardian informou, em sua edição de ontem, que Mikhail Gutseriyev, ex-presidente da maior empresa petrolífera privada da Rússia, teria fugido para Londres. O bilionário Gutseriyev é procurado pela Justiça russa por sonegação fiscal. Na quinta-feira, um tribunal de Moscou já havia emitido um mandado de prisão contra ele.Em julho, Gutseriyev deixou a presidência da RussNeft queixando-se de uma "perseguição sistemática" a ele movida pelo governo do presidente russo Vladimir Putin. O oligarca, cuja fortuna pessoal está estimada em US$ 3 bilhões, acusou o Kremlin de obrigá-lo a deixar a empresa por meio de "falsas acusações de sonegação fiscal".Na quinta-feira, o jornal Kommersant já havia anunciado que Gutseriyev teria fugido para Londres levando com ele toda a sua fortuna. O paradeiro de Gutseriyev era desconhecido até ontem à noite, mas o caso voltou a incendiar a relação bilateral entre os dois países. Por várias vezes o presidente Putin acusou o governo britânico de dar guarida a "criminosos e terroristas" procurados pela Justiça russa. Até agora, o principal ponto de discórdia é o bilionário Boris Berezovski, que vive em Londres e cuja extradição tem sido negada sistematicamente pelo governo da Grã-Bretanha. Além de Berezovski, vários outros dissidentes russos vivem em Londres. Entre eles estão Akhmed Zakayev, líder checheno, Yelena Tregubova, ex-jornalista do Kommersant, e diversos executivos da empresa petrolífera Yukos, que faliu em agosto de 2006.De acordo com o Guardian, entre a comunidade russa de Londres circula já há algum tempo o boato de que Gutseriyev estaria escondido na Grã-Bretanha. O Ministério do Interior britânico não quis comentar o assunto. "Eu conheço Gutseriyev e, embora não tenhamos uma relação próxima, se ele fizer contato comigo, vou ajudar no que for preciso", disse Berezovski, que afirmou ainda que os dissidentes russos escolhem a Grã-Bretanha porque o sistema jurídico do país oferece uma proteção contra Putin, que ele qualifica de "gângster".BEIJOQUEIRODurante uma visita oficial a um criadouro de esturjão, peixe de cuja ova se faz o caviar, Putin surpreendeu as pessoas que o acompanhavam ao dar um beijo em um dos peixes, que em seguida foi devolvido ao Rio Volga. Não é a primeira vez que o presidente russo causa espanto com seu hábito de beijoqueiro. Em junho de 2006, ele levantou a camiseta de um garoto de cinco anos que visitava o Kremlin e deu-lhe um beijo na barriga. Assim como o beijo no peixe, o no garoto foi televisionado e causou uma grande polêmica entre os russos.

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