Outro venezuelano faz acordo no ''''caso da maleta''''

Moisés Maiónica reconhece em tribunal dos EUA que tentou ocultar origem de dinheiro

AFP, AP e EFE, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

O advogado venezuelano Moisés Maiónica, de 36 anos, declarou-se culpado ontem, perante um tribunal americano, por tentar ocultar a origem da maleta com US$ 800 mil não declarados apreendida com o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson no aeroporto de Buenos Aires, em agosto.Maiónica teria sido encarregado pelo governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de conversar com Antonini em Miami e convencê-lo a não cooperar com as investigações sobre o escândalo. Acusado de "conspiração", o advogado poderia pegar até 15 anos de prisão pela lei dos EUA. Ele declarou-se inocente em 7 de janeiro, mas resolveu voltar atrás e admitir culpa após um acordo com a promotoria americana. O "caso da maleta" foi um dos maiores escândalos envolvendo o governo argentino nos últimos anos. Antonini foi flagrado com o dinheiro na alfândega quando chegava à capital argentina num avião procedente de Caracas com altos executivos da estatal petrolífera venezuelana PDVSA. As suspeitas são de que o dinheiro que ele levava para Buenos Aires teria sido enviado por Chávez para financiar a campanha da atual presidente argentina, Cristina Kirchner - o que ela nega. Ontem a promotoria dos EUA afirmou que Antonini carregava a mala de outro passageiro, sem saber seu conteúdo.Após ser interrogado por autoridades argentinas, Antonini, que também tem cidadania americana, voltou para Miami, onde mora. Após pedido de extradição da Justiça argentina, ele aceitou colaborar com o FBI e entrou no programa de proteção às testemunhas do governo dos EUA. Rubén Oliva, advogado de Maiónica, disse que seu cliente recebeu uma ligação de Caracas pedindo que ajudasse o empresário. Segundo as autoridades dos EUA, Maiónica seria um agente a serviço da Venezuela. Ele é um dos quatro detidos sob essa acusação. Os outros são os venezuelanos Carlos Kauffmann e Franklin Durán, e o uruguaio Rodolfo Paciello, que se declararam inocentes. Se forem condenados, poderão pegar 10 anos de prisão e ter de pagar uma multa de US$ 250 mil. No dia 15, uma juíza na Flórida fixou para março o início oficial dos julgamentos. Entre as provas que serão apresentadas pela acusação está uma fita com uma conversa na qual um dos suspeitos teria oferecido a Antonini US$ 2 milhões para ficar em silêncio.

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