Outros 2 dissidentes cubanos desembarcam em Madri

Os jornalistas Normando González e Omar Saludes juntaram-se aos outros sete que chegaram à Espanha na terça-feira

, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

MADRI

Dois novos dissidentes de Cuba chegaram ontem a Madri. Acompanhados de 13 familiares, Normando González, de 40 anos, e Omar Saludes, de 44, ambos jornalistas, juntaram-se aos sete presos políticos libertados pelo governo cubano que desembarcaram na terça-feira. Pelo acordo, outros 43 devem ser soltos nos próximos quatro meses.

A chegada dos dois jornalistas a Madri foi discreta. Rodríguez, ex-diretor da agência Nueva Prensa, condenado a 27 anos de prisão, se disse esgotado após quatro dias sem dormir. Ele não criticou abertamente os irmãos Raúl e Fidel Castro, mas deixou claro que espera uma abertura política. "Nunca perdemos a fé de que Cuba, aos poucos, caminhe para a democracia", disse.

O governo espanhol espera que hoje cheguem ao país mais dois exilados: Luís Milán, de 40 anos, e Mijail Bárzaga, de 43. Todos os dissidentes estão sendo colocados em um albergue a 10 quilômetros do centro de Madri, onde estão sendo regularizados. Para suas primeiras despesas no país, cada família recebeu ? 390.

Ontem, os dissidentes que chegaram na terça-feira concederam as primeiras entrevistas longe das autoridades, que até então limitavam o contato com a imprensa. Falando ao Estado, todos se mostraram cautelosos nas críticas ao regime cubano.

"Não temos nada para celebrar. A libertação é apenas o início de um processo", disse o médico García Paneque. "Não podemos esquecer que, para que fossemos libertados, um homem teve de morrer: Orlando Zapata. Ele é nosso mártir." O jornalista Julio Cesar Gálvez, de 63 anos, afirmou que o objetivo do grupo é a abertura política. "Queremos liberdade de expressão real, porque sem ela não pode haver democracia", afirmou. / A.N.

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