Outros dois opositores fazem greve de fome

Outros dois opositores fazem greve de fome

Um dissidente está em jejum há 30 dias, enquanto o outro não come desde o dia 20

Afp, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

HAVANA

A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional divulgou ontem um comunicado no qual afirma que pelo menos uma dezena de dissidentes iniciou greves de fome após a morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, morto no fim de fevereiro após passar 85 dias em jejum. No entanto, segundo nota assinada pelo porta-voz da entidade, Elizardo Sánchez, apenas três opositores permanecem sem comer.

O principal deles é o jornalista e psicólogo Guillermo Fariñas, de 48 anos, em greve de fome há 34 dias para pedir a libertação de um grupo de presos políticos cujo estado de saúde estaria se deteriorando. Ontem, a mãe de Fariñas, Alicia Hernández, afirmou que seu filho está superando a infecção que agravou seu estado de saúde no fim de semana. No entanto, ela disse que Fariñas pretende continuar a greve de fome "até o fim".

O opositor está internado em um hospital de Santa Clara, cidade a 280 quilômetros a leste de Havana, desde o dia 11. De acordo com a comissão cubana, Fariñas pode morrer "a qualquer momento", apesar da supervisão constante da equipe médica do centro de saúde.

Além de Fariñas, o opositor Franklin Pelegrino del Toro, residente da Província de Holguín, cumpriu ontem 30 dias de greve de fome em sua casa. O motivo do jejum é apoiar o pedido de Fariñas para a libertação do grupo de presos políticos. A agência de notícias France Press afirmou que Pelegrino, de 38 anos, foi hospitalizado ontem.

O médico Darsi Ferrer Ramírez, de 40 anos, também está em greve de fome. Recentemente declarado "prisioneiro de consciência" pela Anistia Internacional, Ferrer iniciou o jejum no dia 20 para protestar contra os maus-tratos recebidos por ele na prisão de Valle Grande, oeste de Havana. Ele está preso desde 21 de julho de 2009 sem ter sido acusado formalmente.

O regime de Fidel e Raúl Castro nega a existência de presos políticos - cujo número estimado pela oposição seria de cerca de 200 - e afirma que os detidos são "mercenários" a serviço dos EUA. /

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