Outros jornalistas do grupo de Murdoch trabalharam na polícia, diz Stephenson

Pelo menos 10 dos 45 funcionários da comunicação da Scotland Yard eram da News Corporation

estadão.com.br e Agência Estado

19 de julho de 2011 | 10h26

LONDRES - O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Paul Stephenson, afirmou nesta terça-feira, 19, que pelo menos outros 10 funcionários da Scotland Yard pertenciam ao grupo News Corporation, do magnata australiano Rupert Murdoch.

 

 

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Stephenson, que pediu demissão no último domingo por envolvimento no escândalo dos grampos ilegais, prestou hoje depoimento ao Comitê de Assuntos Internos do Parlamento britânico.

 

 

Segundo o comissário, dez dos 45 funcionários da área de comunicação da polícia londrina eram empregados da empresa de Murdoch. Entre eles está Neil Wallis, editor-executo do tabloide "News of the World" em 2007, contratado como consultor de comunicação da Scotland Yard. Wallis trabalhou com o ex-diretor Andy Coulson, scretário de imprensa do primeiro-ministro David Cameron até fevereiro deste ano.

 

Questionado sobre seu relacionamento com Neil Wallis, ex-editor-executivo do jornal que foi detido na semana passada, Stephenson disse que "não tinha razões para ligar Wallis aos grampos telefônicos" quando o contratou para o cargo, em 2009. Ele afirma que agora, que a amplitude dos grampos veio à tona, o fato de Wallis ter trabalhado para a polícia é "embaraçoso".

 

Separadamente, a polícia de Londres disse hoje que pediu à corregedoria que investigue o chefe de comunicação da Scotland Yard no caso dos grampos, o quinto graduado policial a ser investigado. A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia Britânica (IPCC, pela sigla em inglês) vai examinar a participação de Dick Fedorcio na contratação de Wallis.

 

Murdoch

 

O magnata australiano Rupert Murdoch também será ouvido hoje no Parlamento britânico. O comitê vai ouvir ainda seu filho, James, e a ex-executiva-chefe da unidade britânica da News Corp., Rebekah Brooks. Murdoch chegou ao Parlamento com três horas de antecedência e seu carro foi cercado por fotógrafos.

 

Os parlamentares vão tentar obter mais detalhes sobre a escala de irregularidades no tabloide News of the World, enquanto Rupert e James Murdoch devem tentar não se incriminar ou provocar mais danos aos negócios sem enganar o Parlamento, já que isso é crime. Suspeita-se que quase 3,7 mil pessoas tenham tido seus telefones grampeados.

 

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